Trump publica imagem em que aparece como presidente interino da Venezuela
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na noite deste domingo (11) nas redes sociais uma imagem que o apresenta como "presidente interino da Venezuela", em uma espécie de perfil biográfico.
A imagem simula uma página biográfica do Wikipédia. O material inclui foto de Trump, datas e cargos supostamente atribuídos ao republicano, o colocando simbolicamente no comando do país sul-americano.
A montagem diz que o republicano está na presidência interina venezuelana desde janeiro de 2026. Além disso, o suposto perfil também traz informações verdadeiras, dizendo que ele é o 45º e 47º presidente dos EUA, tendo assumido o cargo no dia 20 de janeiro de 2025 com o vice-presidente JD Vance.
Quem está no comando da Venezuela, no entanto, é a vice-presidente Delcy Rodrigues. Ela tomou posse como interina na última segunda-feira após o ditador Nicolás Maduro ser capturado em uma operação das forças americanas. A escolha foi feita pela Suprema Corte venezuelana e reconhecida pelas Forças Armadas do país.
Apesar de ter simulado ser presidente interino, Trump elogiou o governo temporário do país na última semana. Na sexta-feira, ele disse que ambas as nações estavam "trabalhando bem juntas". "Especialmente no que diz respeito à reconstrução, em uma forma muito maior, melhor e mais moderna, de sua infraestrutura de petróleo e gás", acrescentou.
A presidente interina reforçou que a Venezuela não está "subordinada" nem "submetida" aos EUA. De acordo com Delcy, eles têm "dignidade histórica e compromisso e lealdade com o presidente Nicolás Maduro, que foi sequestrado". Segundo ela, as relações com os EUA têm uma "mancha" após a captura de Maduro.
Trump declara abertamente que os EUA vão ditar as decisões ao governo interino, que aceitou negociar com Washington seu petróleo afetado por sanções. Além disso, o mandatário afirmou, em entrevista ao New York Times, que os Estados Unidos poderiam manter por anos o controle da Venezuela e de seu petróleo. O republicano exaltou a "sintonia muito boa" com o governo interino.
PLANO DOS EUA PARA A VENEZUELA TEM TRÊS FASES
O primeiro passo é estabilizar o país sul-americano. "Não queremos que ele desemboque em caos", disse Marco Rubio, secretário de Estado, ontem. Para ele, o bloqueio das exportações de petróleo venezuelano faz parte do período de estabilização.
Dinheiro do petróleo apreendido beneficiará os venezuelanos, diz Rubio. "Vamos vendê-lo no mercado, não com os descontos que a Venezuela vinha recebendo. Esse dinheiro será então administrado de tal forma que controlaremos como ele será distribuído, de um jeito que beneficie o povo venezuelano, não a corrupção, não o regime."
Ele chamou a segunda fase de "recuperação". Segundo o funcionário de Trump, a etapa consiste em garantir que empresas americanas e de outros países tenham "acesso ao mercado venezuelano de maneira justa".
O segundo momento também incluiria um "processo de reconciliação nacional". "Para que as forças de oposição possam ser anistiadas e libertadas das prisões ou trazidas de volta ao país e comecem a reconstruir a sociedade civil", explicou ele, sem dar mais detalhes e prazos para a execução do plano.
O plano inclui a transição de poder. Ele, no entanto, afirmou que ainda é muito cedo para discutir o cronograma para as eleições na Venezuela. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, fez um pronunciamento no mesmo sentido.
"Algumas dessas etapas vão se sobrepor. Eu descrevi tudo isso a eles com grande nível de detalhe. Teremos mais informações nos próximos dias, mas sentimos que estamos avançando aqui de uma forma muito positiva", disse Marco Rubio.
