Janeiro começa com calor 1,4°C acima da média em SP; zona leste tem bairros mais quentes

Por LUCAS LACERDA E ANDRÉ FLEURY MORAES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os primeiros dias de janeiro mostram que a população de São Paulo deve enfrentar mais dias de calor em 2026. Dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mostram que, até o último domingo (11), a média das temperaturas máximas chegou a 30°C. A marca é 1,4°C mais alta do que a média climatológica, de 28,6°C, para a cidade.

Essa média considera a observação em um período de 30 anos. A referência atual vai de 1991 a 2020. Os registros do Inmet consideram a estação de referência do Mirante de Santana, na zona norte.

Dados do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da prefeitura apontam que a média de temperaturas máximas na cidade em janeiro teve recorde em 2019, com 32,5°C. Até esta segunda-feira (12), o calor foi mais forte em bairros da zona leste, como Penha (31,5°C), Mooca (31,4°C), além de Freguesia do Ó (31,4°C), na parte norte, e a Vila Mariana (31,1°C), na sul.

Também ocorreu na Mooca o registro absoluto mais alto do ano, no último sábado (10), com 36,4°C. Na média da capital, foram 34,3°C. Diferentemente do Inmet, que tem uma estação de referência para seguir padrões internacionais, o CGE considera a média das estações espalhadas pela cidade.

Para além do recorde de 2019, a média de máximas na cidade registrada pelo CGE para todo o mês de janeiro ficou em 28,8°C no ano passado, o mais alto desde 2021, que registrou 29,9°C.

Segundo o Inmet, a temperatura média máxima registrada em São Paulo em 2025 ficou em 29,96°C, sendo a sétima mais alta da série histórica do instituto. Já a média geral foi de 20,85°C, sendo também a sétima mais alta da série, considerando as medições desde 1961.

Considerando dados de todo o país, 2025 foi o sétimo ano mais quente já registrado em 64 anos, com média de 24,562°C.

Se o mês começou quente em São Paulo, a previsão do Inmet é de que as temperaturas devem ficar acima da média ao longo do mês. O jeito, diz a enfermeira Alessandra Cruz Pagani, 49, é usar roupas mais leves e garantir sempre uma garrafa de água à mão para se hidratar. "No centro é ainda mais quente", afirma.

Temperatura no Rio de Janeiro chega a 41,4°C nesta segunda (12) Cláudio Alves, 35, toma sorvete quando pode. Trabalhador em um restaurante do centro, passa o dia buscando água e picolés.

A reportagem esteve nas imediações do Viaduto do Chá, onde as reclamações sobre o calor eram constantes na tarde desta segunda-feira.

"Uso sempre roupa branca e, se puder, bermuda", diz o doutorando em microbiologia na USP Tom Andrade, 24, que pede mais árvores para o centro paulistano. "Aqui você sua parado."

O problema não se restringe a árvores, diz o coordenador pedagógico Adan Phelipe Cunha, 38. Faltam também espaços de lazer na região central para os dias mais quentes.

Na ausência deles, diz, resta aproveitar o ar-condicionado de lojas e centros comerciais. "É shopping e banco", brinca.

Até quem está acostumado com calor intenso sente o impacto das altas temperaturas. "Eu tenho a impressão de que está mais quente até do que de onde vim", diz a professora Edna Oliveira, do Amapá, há uma semana em São Paulo.

"Em Fortaleza pelo menos tem uma brisa a mais", emenda o empresário Ricardo José Alves de Souza, morador da capital cearense.

Segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), a prefeitura instala as tendas da Operação Altas temperaturas em áreas das cinco regiões da cidade sempre que a temperatura atinge ou ultrapassa 32°C. "Paralelamente, a prefeitura investe na expansão de bosques urbanos para aumentar a permeabilidade do solo e amenizar o calor. Atualmente, a cidade conta com dez bosques ativos e 28 em implementação, com a meta de alcançar 50 núcleos de preservação."

A administração municipal também afirmou ter centros esportivos entre os bairros com as maiores médias de calor até o momento em janeiro, como o Tiquatira e o da Mooca, que tem piscina, e o Vila Manchester, os três na zona leste.

Já na zona norte, as unidades estão na Freguesia do Ó, no Jardim São Paulo -com piscina- e na Vila Guilherme. No centro, o centro esportivo Cambuci também tem piscina. Na zona oeste, a prefeitura mencionou as unidades do Butantã -cuja piscina está em reforma- e de Perus, localizado na zona noroeste da capital

Estudos mostram que as ilhas de calor são mais perceptíveis em zonas altamente urbanizadas, mas a desigualdade também pesa.

Reportagem da Folha mostrou que os bairros pobres concentram esse problema, com diferença de até 4°C em relação às regiões ricas, como mostra comparação entre a Vila Medeiros, na parte norte da cidade, com a Vila Andrade, na zona sul.