Groenlândia escolhe Dinamarca em vez dos EUA, diz primeiro-ministro
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Groenlândia "escolhe a Dinamarca em vez dos Estados Unidos", disse o primeiro-ministro da ilha ártica, Jens-Frederik Nielsen, em uma coletiva de imprensa em Copenhague nesta terça-feira (13).
Fala ocorre em meio às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de que poderia anexar a ilha. Na semana passada, o primeiro-ministro da Groenlândia já havia pedido que o republicano pare com as ameaças.
"Há uma coisa que precisa ficar clara para todos: a Groenlândia não quer pertencer aos Estados Unidos. A Groenlândia não quer ser governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não quer fazer parte dos Estados Unidos", disse Nielsen.
Nielsen fez uma dura crítica à "pressão completamente inaceitável". O político enfatizou que "é claro que queremos fortalecer a cooperação em segurança no Ártico com os Estados Unidos, com a Otan, com a Europa e com os Estados árticos que fazem parte da Otan".
Para o premiê, "há muitos indícios de que a parte mais difícil ainda está por vir". Ele concedeu uma entrevista ao lado de sua homóloga dinamarquesa, Mette Frederiksen.
Trump afirmou que poderiam usar "a maneira suave" ou "a maneira dura" para adquirir a ilha. Ele descartou, por ora, a "compra do território". Segundo informações da agência Reuters, o governo Trump estaria estudando a possibilidade de pagar até R$ 530 mil por habitante da Groenlândia que apoiar o plano de anexação.
Argumento do republicano é que, se os EUA não tomarem a ilha, Rússia ou China o farão. "Não podemos permitir que a Rússia ou a China ocupem a Groenlândia. É isso que elas farão se não agirmos. Portanto, tomaremos alguma providência em relação à Groenlândia, seja da maneira suave ou da maneira dura", declarou Trump na sexta-feira.
O QUE EXPLICA O INTERESSE DE TRUMP
A ilha abriga, desde 1951, a Base Aérea de Thule, a instalação militar americana mais ao norte do planeta. O local é considerado peça-chave para sistemas de monitoramento, defesa antimísseis e vigilância do espaço aéreo no hemisfério norte.
A Groenlândia também concentra reservas de minerais críticos usados na indústria tecnológica, em equipamentos militares, turbinas de energia e eletrônicos. A exploração desses materiais é hoje amplamente dominada pela China, o que amplia o interesse americano na região.
A localização da ilha é vista como estratégica por estar entre a América do Norte, a Rússia e rotas de acesso ao Ártico. A área ganhou peso militar e econômico com o aumento das tensões globais.
