Documento mostra que mais de 4 milhões ficaram sem luz em dezembro em SP

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Enel afirmou que 4,4 milhões de clientes ficaram sem energia entre os dias 9 e 10 de dezembro após a passagem de um ciclone extratropical na capital. O número de 2,2 milhões, divulgado na época da crise, se refere ao pico da falta de luz, diz a concessionária.

O QUE ACONTECEU

Informação consta em documento enviado à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e ainda pode sofrer alterações. O informe, de 19 de dezembro, divulgado pela TV Globo e confirmado pelo UOL, aponta que, de acordo com as regras em vigência da concessão, eles possuem até o dia 31 de janeiro para apresentar o consolidado dos dados o que indica possíveis mudanças até o fim do mês.

Enel diz que enviou somatória dos dias 9 e 10 de dezembro para a agência. À reportagem, a concessionária afirmou que o pico de clientes sem luz foi de 2,2 milhões, como divulgado anteriormente, mas que o consolidado enviado dias depois já exclui possíveis repetências e identifica os imóveis que ficaram sem energia individualmente.

Enel teve aumento de 200% em chamadas de call center, mas diz que atendeu a todos os consumidores. No relatório, a empresa afirma que "o call center recebeu 1.867.856 chamadas" no dia 10 de dezembro. Mesmo assim, a Enel alega que o protocolo de atendimento cumpriu as metas estipuladas - chamadas KPIs, da sigla em inglês Key Performance Indicator (Indicador-Chave de Desempenho).

Foram mantidos os KPIs operacionais dentro dos níveis esperados com Nível de Serviço até 30 segundos, acumulado, de 94,7%, abandono de 1,06% e nenhuma chamada ocupada durante todo o período. Garantindo assim, o acesso dos consumidores às informações, orientações e registros de suas solicitações. Trecho de relatório da Enel enviado à Aneel

Informação contrasta com relatos de moradores de São Paulo ao longo da crise. Em um dos casos reportados no UOL, um gestor de um condomínio na capital acumulou 30 protocolos que comprovavam as tentativas de contato com a Enel. No momento da reportagem, ele já estava há seis dias sem luz no edifício.

Até antes da crise, a Enel acumulava R$ 77,7 milhões em multas não pagas ao Procon de São Paulo. A concessionária não pagou nenhuma multa aplicada pelo órgão desde 2019 ?a empresa assumiu a concessão de energia na cidade em dezembro de 2018.

Concessão será investigada a nível federal. O Ministério de Minas e Energia deve, em conjunto com a AGU (Advocacia Geral da União) e a CGU (Controladoria Geral da União), promover um plano junto da Aneel para avaliar e garantir a qualidade do serviço de energia elétrica prestado no estado de São Paulo. A determinação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi publicada nesta terça-feira (13) despacho nesta quarta-feira (14) no Diário oficial da União.