Golpes de falsos leilões de veículos crescem na internet e fazem vítimas em todo o país

Anúncios com preços muito abaixo do mercado simulam leilões oficiais; especialista em Direito Digital alerta para riscos, cuidados e possíveis responsabilidades ao compartilhar links fraudulentos.

Por Redação

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Golpes envolvendo falsos leilões de veículos têm se espalhado pela internet e acendido o alerta de autoridades e consumidores em todo o Brasil. Sites que simulam plataformas oficiais anunciam carros e motos com valores muito abaixo do mercado, induzindo vítimas a realizar pagamentos que não resultam na entrega do bem. Em Minas Gerais, o próprio governo estadual já emitiu alerta oficial sobre esse tipo de fraude, identificado com o mesmo padrão em diferentes regiões do país.

As páginas fraudulentas costumam ser divulgadas por anúncios patrocinados em redes sociais e utilizam layouts semelhantes aos de instituições conhecidas para transmitir aparência de legalidade. Em muitos casos, o golpe só é percebido após a transferência do dinheiro, geralmente feita via Pix, boleto bancário ou cartão de crédito.

Além do prejuízo financeiro individual, esse tipo de crime afeta a confiança da população no ambiente digital e sobrecarrega bancos, delegacias e o sistema de Justiça. Segundo o professor do curso de Direito da Estácio e especialista em Direito Digital, Claudio Santos, o cuidado do usuário deve ir além de simplesmente não realizar a compra. “Como usuários da internet, a gente também precisa ter muito cuidado no nosso comportamento ao compartilhar esses sites. Na medida em que eu colaboro para que outras pessoas possam cair nesse golpe, eu também posso ser responsabilizado”, explica.

O especialista destaca que cada situação deve ser analisada individualmente, diferenciando quem compartilha de forma intencional de quem também é vítima da fraude. Ainda assim, a recomendação é evitar curtir, comentar ou divulgar anúncios suspeitos. “Mesmo quando não é do nosso interesse utilizar aquele serviço, a gente pode ajudar outras pessoas evitando dar visibilidade a esse tipo de site”, afirma. Erros no endereço eletrônico, alterações sutis no domínio e links que imitam páginas oficiais estão entre os principais indícios de fraude.

Quando o golpe já foi consumado, a orientação é agir rapidamente. A vítima deve registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil e reunir todas as evidências, como comprovantes de pagamento, chaves Pix utilizadas, prints do site e histórico de navegação. “Do ponto de vista do direito civil, muitas vezes é um grande desafio identificar o golpista para tentar recuperar o valor pago”, pontua Claudio Santos. Ele também recomenda o contato imediato com a instituição financeira para bloquear cartões, contestar transações e comunicar a fraude.

Diante do crescimento dos crimes digitais, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal forma de proteção. Desconfiar de ofertas muito vantajosas, pesquisar a reputação de sites antes de efetuar pagamentos e adotar uma postura responsável no compartilhamento de conteúdos são medidas que ajudam a reduzir o alcance dos golpes e proteger outros usuários.