Ladrões em motos aterrorizam Vila Madalena e inibem até passeios com cães

Por PAULO EDUARDO DIAS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ação constante de ladrões em ruas da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, tem trazido medo e alterado a rotina dos moradores, que evitam até sair de casa para passear com os cachorros.

A bordo de motocicletas e disfarçados com mochilas de entregadores, os criminosos atacam pedestres sem se importar com o horário ou a presença de testemunhas. A situação se repete em outros bairros paulistanos, tanto em áreas ricas quanto periféricas. Muitas das ações são registradas por câmeras de segurança.

A reportagem conversou com vítimas de roubos recentes nas ruas Realengo e Professor Pirajá da Silva. As histórias são semelhantes e se concentram em um curto período.

Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública) do estado, desde 1º de janeiro foram registrados quatro roubos na região: dois na Professor Pirajá da Silva, um na Doutor Alberto Seabra e um na Realengo. Os casos são investigados pelo 14º DP (Pinheiros).

A delegacia registrou 2.855 queixas de roubo entre janeiro a novembro de 2025, último mês em que há dados disponíveis, queda de 12% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

Em nota, a SSP informou que a Polícia Militar mantém policiamento ostensivo 24 horas na Vila Madalena. "As forças de segurança também desenvolvem ações preventivas, repressivas e de investigação específicas voltadas ao enfrentamento dos crimes patrimoniais", afirmou a pasta.

Conforme o governo, de janeiro a novembro de 2025 houve redução de 6,34% nos roubos em geral na área da 3ª Delegacia Seccional Oeste (que abrange a Vila Madalena), em comparação com o mesmo período de 2024.

Um jornalista de 52 anos foi assaltado na noite de sexta-feira (9), quando caminhava com a esposa na rua Realengo. Eles seguiam para uma festa de aniversário quando foram abordados por um ladrão em uma motocicleta. Armado e usando capacete fechado e mochila de entregador, o criminoso exigiu as alianças do casal, que respondeu não ter.

O bandido, então, pediu os celulares. Após receber o aparelho do jornalista, ele exigiu o código de desbloqueio, testou e repetiu a senha em voz alta para memorizá-la. O celular da esposa também foi levado, sem que a senha fosse solicitada.

Um boletim de ocorrência foi registrado pela internet. O rastreio do celular da mulher apontou três endereços em um espaço de tempo: um na Pompeia, zona oeste, e dois na Brasilândia, zona norte. O aparelho do jornalista, por sua vez, indicou localização na Freguesia do Ó, zona norte, próximo à avenida Itaberaba.

Após o roubo, o jornalista conta que ficou mais apreensivo e voltou a cogitar a ideia de deixar São Paulo.

Na quinta-feira (8), um engenheiro de 56 anos, a esposa e uma filha foram abordados por dois homens em motocicletas na rua Professor Pirajá da Silva por volta das 13h15. Um deles apontou a arma para o engenheiro, enquanto o outro deu cobertura. Os criminosos exigiram alianças e celulares.

A mulher relatou que, enquanto o marido era assaltado, ela e a filha seguiram caminhando por alguns metros até que o ladrão as alcançou e pediu a aliança. Como a joia não saiu do dedo, o bandido desistiu do roubo. A família registrou boletim de ocorrência e avisou bancos sobre o crime.

As alianças são objeto de desejo dos criminosos. Policiais que investigam roubos afirmam que o valor do ouro aliado à dificuldade de rastreio da peça as tornam atrativas.

Em dezembro, um coordenador de compras de 34 anos também foi vítima na Professor Pirajá da Silva. Ele passeava com a esposa e os cães quando um motociclista com mochila vermelha de entregador sacou uma arma e fugiu com duas alianças da mulher.

Câmeras de segurança mostram que o ladrão subiu e desceu a rua várias vezes em busca de vítimas. Ele ainda aterrorizou o casal ao dizer que voltaria para exigir transferências via Pix, mas eles entraram rapidamente em casa.

A rotina da família mudou. Os cachorros agora ficam mais tempo presos, e as saídas a pé se restringem a levar o lixo para coleta. Segundo o coordenador, eles passeavam com os cães pela manhã e à noite. Agora, não passeiam mais.