Gestão Nunes retoma área ocupada pelo Teatro Contêiner no centro de SP
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) retomou na manhã desta quinta-feira (15) o espaço onde funcionava o Teatro de Contêiner, na Luz, região central de São Paulo. A retomada de posse da área cumpre uma decisão judicial que já havia determinado também o despejo do grupo teatral, a Companhia Mungunzá.
O terreno público era ocupado pela companhia desde 2016. O teatro foi inaugurado no início do ano seguinte.
Em maio do ano passado, a Prefeitura de São Paulo notificou extrajudicialmente os integrantes do grupo, afirmando que eles deveriam deixar a área municipal. A gestão Nunes diz que vai usar o terreno para a construção de unidades habitacionais e espaços de lazer, que fazem parte do plano de recuperação da região central.
Segundo a prefeitura, a operação de desocupação ocorreu sem qualquer intercorrência.
A Companhio Mugunzá deixou o local ainda em dezembro, quando se encerrou o prazo de uma decisão liminar.
O grupo saiu do terreno municipal sem saber se irá para um novo local. Eles afirmam que a prefeitura não garantiu recurso suficiente para a transferência e remontagem do Teatro de Contêiner nem a garantia legal de que terão estabilidade no novo espaço.
A gestão Nunes ofereceu quatro alternativas de endereço para a realocação do teatro, todos em terrenos municipais na região central, como na Rua Conselheiro Furtado, na própria Rua Helvétia e na Rua João Passaláqua. Também ofereceu R$ 100 mil de ajuda para viabilizar a mudança.
A companhia, no entanto, diz que a própria prefeitura estimou em R$ 2 milhões os custos necessários para a desmontagem, transferência e remontagem do teatro. Ou seja, o valor ofecerido pela gestão municipal cobriria apenas 5% do total.
O grupo também diz ter pleiteado a cessão do terreno por 30 anos, período, que segundo eles, será compatível com um trabalho continuado e de longo prazo para o teatro. A prefeitura, no entanto, só aceitou fazer a cessão por 2 anos.
"Nessas condições, permanecemos sem possibilidades para avançar. Não podemos transferir o teatro para um espaço do qual possamos ser removidos novamente a qualquer momento. Tampouco temos recursos para cobrir os custos da mudança", diz uma nota divulgada pela companhia.
