Piscina do Pacaembu vira point gay para tomar sol no centro de São Paulo

Por PEDRO AFFONSO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Já diz o ditado: quem não tem cão, caça com gato. Em São Paulo não tem praia, mas tem piscinas públicas. Durante o calor, é lá que alguns paulistanos conseguem se refrescar e aproveitar o sol na metrópole. Inaugurada há pouco mais de um ano, a piscina olímpica da Mercado Livre Arena Pacaembu virou a queridinha do momento.

Como o próprio nome indica, ali é um espaço dedicado a treinos de natação, mas o público principal não são os atletas. As arquibancadas e bordas do complexo viraram um refúgio de quem frequenta o local pelo prazer de se bronzear e dar um mergulho refrescante.

Uma delas é a publicitária Isabela Gonçalves, 32, que viu ali uma maneira de escapar "do calor insano" da cidade. "Quando descobri que abriu uma piscina boa, limpa, pertinho da minha casa, adorei", diz Isabela, que frequenta o Pacaembu desde a reabertura no ano passado.

Esse passeio, segundo ela, é democrático: todos podem ir. O lugar, porém, virou hit entre homens gays. "Eu fui com um amigo e ele até brincou: 'isso aqui tá lotado de gay, tô amando'", conta a publicitária. Todos os homens, sem exceção, usam sunga. São normas: nada de shorts. As mulheres podem usar maiô ou biquini. Um detalhe na vestimenta é apontado pelo designer gráfico Paulo Silvino, 27: "Bastante gay de sunga cavada".

Morador do bairro de Santa Cecília, no centro de São Paulo, ele conta que pontos para se bronzear pelo centro são escassos. "Vou muito no Parque Augusta e tal, mas não é como ir a uma piscina", diz.

Apesar do sucesso, em dezembro do ano passado a concessionária fez um post em suas redes sociais anunciando mudanças sobre as diretrizes do espaço: o banho de sol deveria ser feito apenas nas arquibancadas, e a borda seria apenas para nadar e treinar. Nos comentários, o público reclamou das mudanças.

Paulo também viu com maus olhos o anúncio. "Não dá pra tomar sol apenas nas arquibancadas, são feitas de concreto. Esquenta muito", afirma. Além do material, não há sombra, o que piora o calor.

Procurada pela reportagem para esclarecimento das regras, a Allegra Pacaembu, concessionária que administra o estádio, encaminhou as normas de uso que estão disponíveis no site e indicam que a piscina "é um espaço especialmente projetado para a prática de esportes aquáticos" e, "em função do seu dimensionamento e profundidade, não é recomendado o uso por crianças, adultos e idosos com a finalidade recreativa".

Mesmo depois do comunicado, no entanto, as bordas continuam a ser usadas para banho recreativo. O piso branco da área da pisicina e arquibancada contrasta com as cangas e bolsas coloridas espalhadas por ali: muita cor e pouca roupa.

Com dez raias e de tamanho olímpico, com 50 metros de comprimento, 25 de largura e 2 de profundidade, o local comporta sem dificuldades, segundo os visitantes, tanto quem treina sério quanto quem só quer relaxar. Pra não atrapalhar ninguém, existe um esquema: nas raias laterais, fica quem quer curtir, já os nadadores, nas do meio.

A estrutura funciona, segundo o bancário Leonardo Couto, 30, que visitou o Pacaembu depois do anúncio das novas regras. Pra entrar, fez um agendamento pelo aplicativo ?que funcionou bem, segundo ele. "Fiquei perto da piscina mesmo, porque não estava tão cheio. Dei um mergulho só pra me refrescar", conta.

A beleza do espaço incentivou a visita: arquibancadas brancas, com uma piscina no meio. "Vi postagens de pessoas que eu conheço, todos gays, e me deu curiosidade de ir". O lugar, inclusive, começou a ser popularizado dessa maneira entre a comunidade LGBTQIAP+: com fotos e publicações nas redes.

Outros pontos que poderiam ser utilizados pelos frequentadores que buscam um lugar ao sol, não são atrativos ?ou convenientes. As do Sesc, por exemplo, dependem de carteirinha.

A praticidade incentiva as visitas ao Pacaembu. O espaço é atrativo para quem vai pelo treino e também para quem só quer se bronzear. "Os gays gostam de colocar uma sunga e pegar um bronze, sabe?", diz Leonardo.