Prefeitura de SP contrata empresa para operar linhas da Transwolff enquanto faz nova licitação

Por BRUNO LUCCA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo assinou nesta segunda-feira (26) um contrato com a empresa Sancetur para operação temporária das 133 linhas e 1.100 ônibus da Transwolff, que estavam sob intervenção municipal desde abril de 2024.

No dia 1º de fevereiro, a Sancetur dará início a uma operação assistida. Os empregos dos trabalhadores serão mantidos, informa a gestão Ricardo Nunes (MDB), assim como o pagamento de salários e benefícios.

As linhas estão concentradas na zona sul da cidade.

Antes da assinatura do contrato, foram consultadas concessionárias que atendesse integralmente aos requisitos legais para operação das linhas. "A Sancetur atendeu a todos eles, incluindo a comprovação de capacidade técnica, econômico-financeira, operacional e logística, bem como a execução satisfatória de serviços e a regularidade da documentação fiscal necessária para a prestação dos serviços de transporte coletivo de passageiros", diz a prefeitura em comunicado.

O processo de licitação que definirá a próxima concessionária responsável pelos ramais também foi iniciado.

Em 9 de abril de 2024, a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na Transwolff, investigada por envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital). A substituição da empresa foi anunciada em janeiro de 2025 e, em julho, foi criado um grupo de trabalho para estudar a possibilidade de transferência dos direitos dos contratos de concessão para outra empresa.

A administração municipal decretou a caducidade dos contratos em dezembro do mesmo ano.

Contratada pelo município desde 2019, a concessionário alega que não teve conhecimento de todo o processo que levou ao rompimento e tem sofrido linchamento público.

Em sua tentativa de defesa na Justiça, a Transwolff afirmou que a prefeitura decretou a sua intervenção, em abril de 2024, com base exclusivamente em investigações criminais que sugeriam vínculos entre dirigentes da empresa e o crime organizado.

E, de acordo com advogados da concessionária, após seis meses de uma auditoria contratada pela própria gestão Nunes, não foi identificado "nenhum indício de prática delitiva ou associação criminosa foi identificado, mas, ao contrário, os relatórios técnicos apontaram apenas questões de natureza operacional e financeira, todas passíveis de saneamento".

Com isso, a empresa argumenta na Justiça que foi criada uma narrativa criminal para substituição da concessionária.

Segundo o decreto de caducidade assinado por Nunes, relatórios produzidos durante o período de intervenção mostram um quadro crítico e insustentável da concessionária, "demonstrando graves e reiterados descumprimentos das obrigações contratuais assumidas".

São citados padrões de manutenção, desempenho operacional e qualidade dos serviços.