EUA têm mais frotas próximas ao Irã do que tinham da Venezuela, diz Trump
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos têm hoje mais tropas próximas ao Irã do que da Venezuela, país que sofreu intervenção dos norte-americanos com a prisão do ditador Nicolás Maduro no começo do ano.
Trump falou sobre as tropas ao comentar a chegada do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Oriente Médio. "Temos uma grande frota perto do Irã. Maior do que a da Venezuela", disse, em entrevista ao portal Axios.
Apesar da ameaça, ele afirmou que a diplomacia ainda é uma opção para os dois países e que o Irã quer fazer um acordo. "Eles ligaram em diversas ocasiões, eles querem conversar", disse o republicano.
Conselheiros de Trump avaliam que usar a fraqueza do governo para um acordo seria mais vantajoso do que bombardear Teerã. Citando fontes militares, o Axios afirmou que um acordo dos EUA prevê a entrega de todo o urânio enriquecido do país e o banimento do enriquecimento de urânio na região.
ESCALADA DE TENSÕES
Governo Trump chegou a considerar um ataque a Teerã no meio do mês, segundo o Wall Street Journal. Na ocasião, durante a escalada de protestos no país, fontes da Casa Branca afirmaram que um ataque era mais provável do que improvável.
Rivais árabes do Irã na região do Golfo Pérsico pressionaram os EUA a não intervirem nos protestos que deixaram milhares de mortos. Arábia Saudita, Omã e Qatar estão dizendo à Casa Branca que uma tentativa de derrubar o regime iraniano abalaria os mercados de petróleo e, em última análise, prejudicaria a economia dos EUA e também a dos próprios países, segundo autoridades árabes.
Apesar da pouca simpatia pelo Irã, os estados árabes temem, principalmente, que ataques ao Irã possam interromper a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A estreita passagem na entrada do Golfo Pérsico separa o Irã de seus vizinhos árabes e é por onde passa cerca de um quinto das remessas mundiais de petróleo.
Autoridades sauditas garantiram a Teerã que não se envolveriam em um possível conflito com os EUA. Ainda de acordo com a reportagem, os representantes da Arábia Saudita disseram que não permitiriam o exército americano de usar seu espaço aéreo para ataques, em um esforço para se distanciar e evitar uma ação americana.
Contato oficial entre os dois países foi cortado em 14 de fevereiro, mas foi retomado em seguida, segundo agências internacionais. A data marcou o ápice das tensões entre os dois países, quando o Irã prometeu executar um manifestante preso e voltou atrás em seguida.
Irã afirmou a países vizinhos que podia bombardear bases americanas no Oriente Médio como resposta a um possível ataque. Os Estados Unidos estão retirando alguns militares de bases importantes na região como precaução.
Guarda Revolucionária iraniana afirmou que estava "no auge da prontidão". À mídia estatal, Majid Mousavi, comandante aeroespacial do país, também disse que o estoque de mísseis do país aumentou desde a guerra de 12 dias travada com Israel.
