Só perícia irá definir como corretora foi morta em Goiás, diz advogado da família
GOIÂNIA, GO, E BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O advogado da família da corretora Daiane Alves dos Santos, 43, cujo corpo foi encontrado nesta quarta (28) na região de Caldas Novas, afirmou que apenas a perícia poderá identificar a maneira como ela foi morta.
Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro e foi localizada em região de mata no município de Ipameri, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, no sul de Goiás. O suspeito pelo crime, o síndico Cléber Rosa de Oliveira, indicou aos policiais a localização do corpo da vítima e foi preso.
O representante da família, Plínio César Cunha Mendonça, afirmou à Folha de S.Paulo que apenas os restos mortais da vítima foram encontrados.
"Somente com a perícia é que se vai identificar se foi lesionada [por faca] e se tem projétil [de arma de fogo]", afirmou. Ele ressaltou que outra hipótese de morte é enforcamento.
O advogado acompanhou a família no Instituto de Criminalística para coleta de material genético. Segundo ele, a polícia também encontrou as roupas da vítima no local onde o corpo foi achado. Já foram solicitados exames de arcada dentária.
"A família está arrasada. Os irmãos estão desolados. A mãe está aparentemente forte, parecendo que ainda não caiu a ficha. Ela é uma pessoa aguerrida. Daiane pagou com a própria vida, infelizmente", disse Mendonça.
A mãe da corretora, Nilse Alves Pontes, disse à Folha que soube da prisão do síndico logo que ele foi detido. "A polícia nos avisou".
O advogado confirmou a informação da Polícia Civil de Goiás de que as desavenças entre Daiane e o síndico se intensificaram ao longo de 2025, ano em que ela chegou a ganhar ação na Justiça contra ele por supostos abusos na administração do condomínio.
Ele e o filho, que estão presos temporariamente, são investigados pelo crime. Procuradas, as defesas deles não responderam.
Segundo a investigação, o síndico chegou a convocar assembleia para impedir o acesso da corretora às áreas do condomínio, o que foi acatado pelo colegiado, mas revertido na Justiça. O advogado citou que, em outro caso, o síndico também foi condenado pelo Judiciário ao pagamento de R$ 3 mil mais multa no valor de R$ 20 mil em processo envolvendo danos morais e materiais.
A polícia apura se a corretora foi morta ainda no prédio em que morava, em um intervalo de oito minutos.
"Não podemos afirmar de maneira categórica pela ausência das imagens [do subsolo], mas pela análise do contexto tudo indica que ela foi morta dentro do prédio e retirada de lá", afirmou o delegado João Paulo Ferreira Mendes, da divisão estadual de homicídios.
A vítima teria se dirigido ao subsolo para acessar o quadro de energia do edifício, após perceber que apenas o apartamento dela estava sem luz.
Ela desceu o elevador com o celular na mão e filmando a situação, o que pode ter gerado um atrito entre os dois.
"Ele [suspeito] relatou, de forma informal para a equipe [de policiais], que ela chegou com o celular na mão, filmando, eles tiveram um atrito e ali aconteceu tudo", disse Mendes.
O filho do síndico, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso de forma preventiva sob suspeita de obstruir as investigações.
A polícia apura se ele também teve participação na tentativa de ocultação do cadáver.
"Ficamos monitorando e percebemos que o filho comprou um telefone novo no dia 17 e que foi habilitado pelo pai. Os demais elementos serão respondidos durante a investigação", afirmou o delegado André Luiz Barbosa.
A suspeita é a de que o veículo dele foi utilizado para levar o corpo da vítima. Imagens de câmeras de segurança mostram que o carro aparece no sentido do local do crime com a capota fechada e retorna, 48 minutos depois, com ela aberta.
A polícia ainda busca esclarecer se o crime teria sido premeditado ou não, além de qual teria sido a participação do filho do síndico no caso.
