Liceu Franco-Brasileiro é condenado por omissão em racismo contra jovem
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O colégio Liceu Franco-Brasileiro foi condenado a pagar R$ 80 mil de indenização por omissão no caso de racismo contra a adolescente Ndeye Fatou Ndiaye, que tinha 15 anos à época.
A Justiça determinou uma indenização por danos morais coletivos. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Ministério Público, ocorreu seis anos após o crime na renomada escola particular do Rio de Janeiro vir à tona.
O juiz entendeu que as situações repetidas de racismo não tiveram reposta institucional eficaz. "É notável a minimização inicial da gravidade dos fatos pela diretora, que classificou o episódio como 'brincadeira boba', assim como o relato do pai da vítima sobre a tentativa da escola de persuadi-lo a 'esquecer as coisas'", argumentou o desembargador Sergio Wajzenberg.
Sentença também ordenou a adoção de medidas institucionais voltadas ao combate ao racismo. O colégio deverá apurar internamente denúncias, oferecer suporte psicossocial às vítimas, criar um comitê de diversidade e inclusão e inserir, diretrizes formais de promoção da igualdade racial e de combate à discriminação.
A reportagem entrou em contato com o Liceu para comentar a decisão. Não houve retorno até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.
RELEMBRE O CASO
A aluna Ndiaye, filha de senegaleses, descobriu em 2020 que colegas trocavam mensagens racistas sobre ela por meio de um aplicativo de conversas. Entre o conteúdo racista, havia mensagens que diziam "dou dois índios por um africano", "1 negro vale uma jujuba, "1 negro vale um pedaço de papelão", "1 negro vale um Trident", entre outras frases de violência e apologia à escravidão e ao tráfico humano.
A família registrou um boletim de ocorrência na época. Com a repercussão, ela e os pais decidiram que seria melhor mudá-la de escola. Ela estudava há dez anos no mesmo local e já havia ganhado vários prêmios internos de poesia.
O colégio classificou o conteúdo das mensagens como "extremamente racistas". "Estamos profundamente indignados com o ocorrido e reiteramos que o Colégio Franco-Brasileiro repudia, de forma veemente, toda forma de racismo", falou a direção em nota logo após a divulgação do que havia acontecido.
