Evacuações de Gaza por Rafah são canceladas hoje, diz Crescente Vermelho
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O porta-voz do Crescente Vermelho, Raed al-Nims, afirmou na manhã desta quarta-feira (4) que foi informado do cancelamento da evacuação de pacientes e feridos da Faixa de Gaza para o Egito pela passagem de Rafah. A fronteira estava fechada havia quase dois anos e foi reaberta nesta segunda-feira (2).
O QUE ACONTECEU
"Infelizmente, há alguns minutos, fomos informados de que o processo de evacuação desta quarta-feira (4) foi cancelado", disse ele à Al Jazeera. Segundo o porta-voz, estava previsto que os doentes e feridos chegassem primeiro ao hospital da Cruz Vermelha para exames médicos preliminares, antes de serem transferidos de ambulância para a passagem de Rafah e, em seguida, para hospitais egípcios.
Israel permitiu que 16 palestinos e seus familiares deixassem Gaza no segundo dia da reabertura da passagem de Rafah. No dia anterior, 12 pessoas foram autorizadas a entrar no Egito pela fronteira, que estava fechada havia quase dois anos.
A estimativa é de que mais de 20.000 feridos e doentes também necessitem urgentemente de tratamento. Na segunda, três ambulâncias transportaram pacientes palestinos, que "foram imediatamente examinados para determinar para qual hospital seriam transferidos", disse um funcionário do Ministério da Saúde do Egito.
Lista de pessoas autorizadas a atravessar a fronteira precisa ser pré-aprovada pelo Egito e por Israel. Entre 150 e 200 pessoas poderão passar ao mesmo tempo, e a maioria deverá retornar ao território palestino, já que sairá da região apenas como acompanhante de pessoas debilitadas.
Autoridades egípcias mobilizaram 150 hospitais e 300 ambulâncias, além de 12 mil médicos e 30 equipes de emergência, para atender os pacientes, segundo a AlQahera News, veículo estatal próximo aos serviços de inteligência do Egito.
Organização Médicos Sem Fronteiras foi banida de entrar pela passagem. A informação foi confirmada pelo ministro de Assuntos da Diáspora do país, Amichai Chikli. Ele alegou que o órgão não forneceu a lista com o nome dos funcionários locais. "Este é um pré-requisito obrigatório para as organizações operando na região", afirmou, em entrevista ao jornal "Maariv".
A maioria das pessoas a atravessar a fronteira deve ser formada por pacientes de hospitais. Segundo o Ministério da Saúde de Israel, 20.000 palestinos com problemas de saúde aguardam para deixar Gaza. Desse total, ao menos "4.500 crianças, têm necessidade urgente de atendimento médico", disse Mohammed Abu Salmiya, diretor do principal hospital do território palestino, Al Shifa.
Passagem estava fechada desde maio de 2024. A reabertura total da fronteira faz parte do plano de cessar-fogo assinado em outubro de 2025. "Abertura" está em vigor somente para testes de segurança. Segundo o Cogat, órgão do Exército de Israel responsável pela coordenação da fronteira, "a passagem [de palestinos] só será autorizada após a conclusão dos preparativos".
Quando a passagem estiver oficialmente aberta para entrada e saída no território, moradores só poderão atravessar a pé, segundo o Exército de Israel. O setor de coordenação das atividades governamentais nos territórios, responsável pela coordenação humanitária na fronteira, afirmou que a operação de reabertura é feita com ajuda do Egito e da União Europeia.
A passagem de Rafah é o único ponto de entrada e saída entre a Faixa de Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel. Ele fica em uma área controlada pelo Exército israelense desde sua retirada no início do cessar-fogo, que entrou em vigor em 10 de outubro, após mais de dois anos de guerra contra o movimento islamista palestino Hamas.
