Corregedoria faz operação para prender três PMs de SP por escolta ilegal a dono da Transwolff

Por FRANCISCO LIMA NETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Corregedoria da Polícia Militar faz operação na manhã desta quarta-feira (4) para prender três PMs investigados sob a suspeita de fazerem escolta ilegal do proprietário e de um diretor da Transwolff, empresa que era concessionária do transporte coletivo de São Paulo e que teria ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os nomes dos agentes não foram divulgados. A ação da Corregedoria também cumpre 16 mandados de busca e apreensão. Uma quantia não especificada de dinheiro em espécie foi apreendida em um dos endereços.

A ação é resultado das investigações da Operação Fim da Linha, de 2024, que apontou o possível envolvimento de policiais na segurança pessoal e patrimonial de empresas e pessoas investigadas.

Além de supostamente fazer a segurança privada da empresa, os PMs faziam escolta para Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, dono da Transwolff, e para Cícero de Oliveira, o Té, diretor da viação. Os agentes teriam prestado o serviço de segurança entre 2020 e 2024, atividade que é contra o regulamento da corporação.

A Polícia Militar afirmou que "reforça seu compromisso com a legalidade e com a responsabilização de todos os agentes que descumprem os protocolos da corporação".

A operação, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), decorre de investigação instaurada após o compartilhamento de provas reunidas em um processo que apura crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, em trâmite na 2ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa da Capital.

As informações surgiram a partir dos desdobramentos da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), em conjunto com a Polícia Militar, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Receita Federal.

A Operação Fim da Linha mirava a Transwolff e a empresa UPBus, que juntas eram responsáveis pelo transporte de ao menos 700 mil passageiros diariamente na capital paulista e que receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023, segundo a Promotoria.

Em abril de 2024, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra dez dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus acusada pelo Ministério Público de integrar esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Por ordem da Justiça, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) nomeou interventores para comandar as duas companhias.