Capitão da PM preso atuava na segurança da Câmara Municipal de SP

Por ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos três policiais militares presos na operação da Corregedoria da Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (4) era um dos homens destacados pelo comando da corporação para realizar a segurança do presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Conforme informação da presidência da Casa, o capitão Alexandre Paulino Vieira atuava na Assessoria Policial Militar desde outubro de 2014, ainda na gestão do petista José Américo. Nesses 11 anos foram cinco nomes na presidência: Américo, Donato, Eduardo Tuma, Milton Leite e o atual Ricardo Teixeira. A reportagem não localizou a defesa do oficial.

Em nota, a Câmara disse que "nas atribuições relacionadas à Assessoria Militar na Câmara não há nenhum registro que o desabone".

Em 2023, conforme dados obtidos pela Folha de S. Paulo, a Assessoria Policial Militar tinha 24 policiais militares à disposição na Câmara. A Casa informou que o efetivo atual é de 26 PMs.

Em 2024, reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que um relatório da Promotoria apontava que a segurança de dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus suspeita de ligação com o PCC, era realizada por PMs da Rota. O documento não apontava nenhum crime praticado pelos policiais.

Vieira e os outros dois PMs presos nesta quarta são investigados sob a suspeita de fazerem escolta ilegal do proprietário e de um diretor da Transwolff.

Tratava-se, em princípio, de um trabalho extraoficial, supostamente realizado no horário de folga, o que é proibido pela corporação. Seria, assim, em tese, uma transgressão disciplinar, que pode gerar consequências administrativas. Na época, a PM informou que a Corregedoria investigava o assunto.

A nota divulgada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) não informa quais crimes foram detectados na investigação da Corregedoria. Diz, apenas, que a análise do material compartilhado pela Promotoria apontou a participação direta dos PMs na segurança "de suspeitos apontados como integrantes da facção criminosa e alvos da Operação Fim da Linha".

Na época, o advogado Roberto Vasco Teixeira Leite, que defendia o então presidente da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, confirmou a contração dos PMs da Rota pela empresa por um "longo período". Para ele, tratava-se de uma prova da inocência de seu cliente. "Porque uma tropa de elite jamais se submeteria a fazer segurança para essas pessoas [do crime organizado]", disse o advogado, na época.

Pelas trocas de mensagens interceptadas na investigação, com autorização judicial, ao menos seis policiais militares participavam do trabalho de segurança e de escolta. Um deles seria o capitão preso, possivelmente o chefe da equipe, e que tratava de valores relativos a cinco PMs em uma das conversas.

Nesta quarta-feira, a Transwolff disse repudiar "veementemente qualquer tentativa de associação com organizações criminosas". A empresa acrescentou que "não há qualquer fundamento nas alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas ou com os policiais militares citados".