Carnaval de SP amplia variedade de bebidas com drinques e opções sem álcool
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Folião das antigas sabe: no carnaval de rua bebia-se cerveja e, no caso dos mais responsáveis, água. Procurando um pouco, era possível achar algum refrigerante, mas nada além disso.
Agora, a conversa é outra. Quem vai para a folia nas ruas de São Paulo encontra mais variedade de bebidas do que em alguns mini-mercados.
Diferentes drinques enlatados, água com e sem gás, diversos refrigerantes. A cerveja está mais presente ainda, numa miríade de marcas e até na versão sem álcool.
A ideia parece ser não deixar ninguém de fora, agradar todos os gostos e atrair para a festa mesmo quem não é adepto da bebedeira. E a impressão é que está funcionando.
Fabiano Manoel de Solsa, vendedor ambulante que atua há mais de uma década no carnaval, conta que a variedade ajuda nas vendas. "Tendo mais opções, o pessoal compra", diz.
"Eu gosto muito dos drinques, mas é muito mais alcoólico do que a cerveja. Tem que tomar cuidado, porque bate mais forte", diz Rita Silva, que participou do desfile do Ritaleena, na zona oeste da capital.
"Também dá menos vontade de fazer xixi. E como tem pouco banheiro, isso ajuda", afirma.
No bloco Casa Comigo, que neste sábado (7) lotou a Rua Henrique Schaumann, na zona oeste, nem a grande densidade de ambulantes impactou os lucros. Isael de Oliveira tem uma empresa de construção civil, mas há três anos trabalha também no carnaval. Ele diz que mesmo com o grande volume de profissionais credenciados, seu carrinho dá dinheiro.
"O povo deixa de comer para beber", diz, contando que há quem queira usar até o cartão de vale alimentação para comprar bebida.
Relatos de ambulantes veteranos são de que o perfil de bebidas começou a se diversificar há cerca de seis anos, pouco antes da pandemia de Covid-19.
Hoje, nos blocos oficiais, patrocinados pela Ambev, há mais de uma dúzia de bebidas alcoólicas das marcas da empresa, metade delas cervejas, além de energético, refrigerante e água.
A foliã Marina Duque, 34, acha ótimo ter outra opções além de cerveja, já que não gosta de bebidas amargas. "Eu só tomo Skol Beats, que é mais doce".
"Essa tendência de drinques industrializados prontos para beber é mundial", diz o comerciante Anderson Ferreira, mais conhecido pelo apelido "Gordoboy". "Ela vem ganhando forca nesses três últimos anos e crescendo muito em São Paulo".
Nos desfiles não oficiais, os ambulantes podem vender produtos de qualquer marca. Entre elas está o Xeque Mate ?drinque enlatado que tem como principais ingredientes chá mate, rum e extrato de guaraná? que continua sendo um dos grandes hits da folia de rua. Além da embriaguez, ele também dá energia, ajudando a aguentar a maratona de blocos. Ambulantes passaram a oferecer até mesmo copo plástico e gelo para servir a bebida.
Fora do circuito oficial é possível encontrar carrinhos de drinques preparados na hora, como caipirinha. Não é raro cruzar com um folião tomando sua bebida de canudinho ou usando um copo térmico para manter o drinque gelado.
No bloco Ritaleena, no Sumaré, a chuva forte que caiu na tarde de sábado prejudicou as vendas. Mas o que mais atrapalhou, segundo alguns vendedores, foi não poder vender Xeque Mate.
"Se tivesse Xeque Mate, a gente tinha vendido tudo", lamenta, Luzinete das Graças, que trabalha no carnaval há mais de 20 anos, mostrando o isopor ainda cheio de latas. Ela ressalta que os drinques que saem mais. "Skol Beats até vende melhor, mas cerveja ninguém quer".
