Manobrista da academia era responsável por manutenção de piscina onde professora morreu, diz polícia

Por FRANCISCO LIMA NETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O manobrista era o responsável pela manutenção da piscina da academia C4 Gym onde a professora Juliana Faustino Bassetto, 27, nadou antes de passar mal e morrer, na zona leste de São Paulo, de acordo com a polícia.

O homem é procurado para prestar depoimento e dar informações que possam auxiliar nas investigações.

"Não localizamos o manobrista, que seria o responsável pela lavagem da piscina, que seria a pessoa que faz a mistura dos produtos. Então, a gente está tentando localizar esse manobrista limpador de piscina para identificar os produtos que ele utilizou e qual foi a proporção desses produtos utilizados", disse Alexandre Bento, delegado titular do 42° DP (Parque São Lucas), em entrevista à TV Globo.

Outras duas pessoas estão internadas após terem contato com a água no sábado (7). O marido de Juliana, e um adolescente de 14 anos. A suspeita é de intoxicação.

O local passou por perícia neste domingo (8). Segundo Bento, foi encontrado produtos químicos e um recipiente com uma mistura que será analizada pelo laboratório do Instituto de Criminalística.

"A nossa suspeita inicial é de que houve uma mistura de produtos que acabou causando essa reação química que provocou a dispersão de gases no ambiente que intoxicou essas pessoas", disse o delegado.

Bento afirmou que o gás tóxico provocou asfixia, queimou as vias aéreas e gerou bolhas nos pulmões das vítimas.

"A grande dificuldade [da investigação] é que não houve a colaboração de ninguém da empresa. Os empresários não apareceram, não deram satisfação. A gente não consegue entender", afirmou.

A Subprefeitura Vila Prudente interditou, preventivamente, a academia após "irregularidades quanto à segurança do local". Segundo a prefeitura, o Auto de Licença de Funcionament está no nome do antigo propietário.

"Considerando que o documento não está vinculado ao CNPJ atual da academia, foi iniciado o procedimento para cassação da licença."

Em nota, a direção da Academia C4 GYM disse lamentar profundamente o ocorrido em sua unidade. "Informa que prestou imediato atendimento a todos os envolvidos e que tem mantido contato direto com as pessoas envolvidas a fim de oferecer todo o suporte".

"Reforça, ainda, que está colaborando integralmente com as autoridades competentes, contribuindo com tudo aquilo que for necessário", acrescentou o texto.

PAI DE PROFESSORA PEDE JUSTIÇA

Ângelo Augusto Bassetto, pai de Juliana, disse estar muito abalado após a morte da jovem e pediu justiça.

"Eu nem tenho o que falar porque tudo o que eu olho na minha casa eu vejo ela. Tá me doendo tanto, meu pai do céu. Nunca mais eu vou ver minha filha. Só acho que a justiça tem que ser feita. A gente não quer saber de valor nem nada, é para não acontecer com ninguém mais", disse.

Juliana e o marido participavam de uma aula de natação na C4 GYM quando perceberam que a água da piscina apresentava aspecto e gosto estranhos. Pouco depois, sentiram-se mal e avisaram o instrutor responsável.

O casal seguiu para o Hospital Santa Helena, em Santo André, na Grande São Paulo. No local, o quadro de Juliana se agravou. Ela teve uma parada cardíaca e morreu.

O marido de Juliana foi transferido para outra unidade médica. O estado de saúde dele não foi informado.