Vazamentos da Vale em Minas Gerais são inadmissíveis, diz Zema

Por ARTUR BÚRIGO

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou nesta segunda-feira como "inadmissíveis" os dois vazamentos em minas da Vale registrados há duas semanas na região central do estado.

Decisão recente do Tribunal de Justiça suspendeu as operações que a mineradora tem em Ouro Preto até que a empresa comprove tecnicamente a estabilidade e segurança de todas as estruturas do local.

A decisão atendeu a pedido do governo estadual e do Ministério Público.

"Nós teremos que ter responsabilidade, aquilo que tem risco não pode operar. Depois de Mariana e Brumadinho, é inadmissível acontecer fatos semelhantes, mesmo que seja um mero vazamento de água", disse o governador a jornalistas após evento nesta segunda.

Procurada, a Vale disse que não vai comentar a fala do governador. Sobre a medida judicial, a empresa disse que as operações no local já estão interrompidas desde o dia 26.

As duas ocorrências de vazamento em minas da Vale em Congonhas e Ouro Preto aconteceram no dia 25 de janeiro, data que marcou os sete anos do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho.

A primeira delas, na mina de Fábrica, em Ouro Preto, levou cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos a córregos que alimentam os rios Maranhão e Paraopeba.

Essa ocorrência foi o que gerou a ação da Promotoria estadual e também motivou pedido do Ministério Público Federal (MPF) para o bloqueio de R$ 1 bilhão das contas bancárias da Vale.

O segundo vazamento foi registrado na mina de Viga, em Congonhas, onde houve o comprometimento de 22 sumps (estruturas que retêm água), que receberam grande volume de sedimentos e extravasaram.

O governo estadual multou a mineradora em R$ 3,3 milhões pelos dois episódios de vazamentos. A punição, originalmente de R$ 1,7 milhão, foi aumentada diante da reincidência da mineradora em relação a uma infração ambiental de 2023.

A Vale afirma ainda que os episódios não têm relação com as barragens da empresa na região, que são monitoradas 24 horas por dia e seguem com condições de estabilidade e segurança inalteradas.