Hytalo Santos e marido são condenados por conteúdo com conotação sexual envolvendo adolescentes

Por BRUNO LUCCA E ISABELLA MENON

SÃO PAULO, SP E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A Justiça da Paraíba condenou o influencer Hytalo Santos e o seu marido, Israel Natã Vicente, a oito anos de prisão pela produção de conteúdo com conotação sexual envolvendo adolescentes. A sentença foi proferida neste sábado (21) pela 2ª Vara Mista de Bayeux.

Segundo o despacho, foi comprovado durante a investigação que a dupla explorava a imagem dos jovens para ter engajamento, conquistar audiência e monetizar suas contas no Instagram, TikTok e YouTube.

Cabe recurso. A defesa dos réus, em nota enviada à Folha, chamou a decisão judicial de odiosa e preconceituosa.

"Ao longo de toda a instrução processual, a defesa apresentou argumentos consistentes, lastreados em provas e nos próprios depoimentos colhidos em juízo que afastam a tese acusatória", dizem os advogados. "Nada disso, contudo, foi devidamente enfrentado na sentença."

Segundo a assessoria jurídica, a decisão representa ainda a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual ?em referência a Hytalo. Trecho da sentença cita a orientação sexual do influencer. Para a defesa, isso demonstraria um julgamento contaminado.

Na próxima terça-feira (24), será julgado um habeas corpus do casal. O pedido fora impetrado antes da sentença deste sábado e, segundo os advogados, não perde seu objeto. "A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, convicta que as instâncias competentes restabelecerão a Justiça."

Hytalo e Israel eram investigados pela Promotoria da Paraíba desde dezembro do ano passado sob suspeita de exploração de adolescentes e crianças. O caso viralizou após o youtuber Felca, em vídeo intitulado "Adultização", denunciar cenas de suposta exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.

Os influencers promoviam vídeos com adolescentes que envolvem dinâmicas nas quais os jovens se beijam, frequentam festas com consumo de bebidas alcoólicas e aparecem em danças sensuais. No vídeo, Felca alerta que havia lucro com a sexualização juvenil.

Hytalo, que acumulava mais de 12 milhões de seguidores somente no Instagram, teve seus perfis desativados.

Durante as diligências, Hytalo disse às autoridades que os pais autorizavam que ele tivesse tutela das crianças e adolescentes que eram gravados. Afirmou ainda que os matriculava em escolas particulares e arcava com os gastos educacionais e, em troca, produzia os conteúdos para redes sociais.