'Tive cinco minutos para tirar meus filhos', diz sobrevivente de deslizamento em MG
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Moradores das áreas mais impactadas pelas chuvas na zona da mata de Minas Gerais relatam o pouco tempo que tiveram para sair de casa antes dos deslizamentos.
Ao menos 28 pessoas morreram na região, segundo o Corpo de Bombeiros. São 21 mortes confirmadas em Juiz de Fora e sete em Ubá, cidade a 111 quilômetros dali. Há ainda 40 desaparecidos em Juiz de Fora e três em Ubá.
Em Juiz de Fora, o bairro mais afetado foi o Parque Jardim Burnier, onde cerca de 12 casas foram destruídas com a força do deslizamento de terra.
Vander Bittencourt, 34, é vizinho das casas que desabaram e conhecia os mortos e desaparecidos.
"Recebi um alerta da Defesa Civil e achei grave, pois era vermelho, não amarelo. Deu cinco minutos de relógio e sentimos o tremor de terra com as casas desabando. Eu e minha mulher tivemos cinco minutos para descer com nossos três filhos", afirma.
Vander afirma que subiu no terraço e viu as casas deslizando. Em seguida, desceu as escadas do imóvel, que momentos depois acabou soterrada pela massa de lama do deslizamento.
Os imóveis da rua onde houve o deslizamento estão visivelmente tortos e foram interditados. Desde a madrugada desta terça (24), equipes do Corpo de Bombeiros fazem buscas por desaparecidos sob os escombros. Durante a tarde, dois corpos foram encontrados.
Entre mortos e desaparecidos estão crianças que eram amigas dos filhos de Vander e frequentavam a mesma igreja. "A água do barranco está toda debaixo da nossa casa. Dá para ouvir o barulho como se fosse uma torneira aberta", diz.
A Prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), decretou estado de calamidade pública no município, medida já reconhecida pelo governo federal. A cidade deve receber apoio da União, incluindo equipes da Força Nacional.
