Júri de acusados pela morte de Mãe Bernadete é adiado na Bahia

Por ALÉXIA SOUSA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O júri popular dos dois acusados pelo assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, foi adiado nesta terça-feira (24), em Salvador. A sessão estava marcada para começar às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, mas foi suspensa após pedido da nova defesa constituída no processo.

O Tribunal de Justiça da Bahia não informou se a alteração na defesa ocorreu em relação a um ou a ambos os réus nem divulgou a identidade dos advogados que assumiram o caso. A reportagem procurou o tribunal para esclarecer os detalhes, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Segundo o TJ-BA, o pedido de adiamento foi apresentado na tarde de segunda-feira (23). A nova data para o julgamento foi designada para 13 de abril, no mesmo horário e local.

A decisão foi comunicada no início da sessão pela juíza Gelzi Maria Almeida, titular do 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador, responsável pelo caso. De acordo com o tribunal, a estrutura para a realização do julgamento já estava preparada.

Em nota enviada à Folha, o Ministério Público da Bahia afirmou que considera "legítimo e legal o pedido" da defesa e que a decisão de adiamento "preserva o processo e a realização do júri, pois evita que haja pedidos de nulidade".

Seriam julgados Marílio dos Santos, apontado pelo Ministério Público como mandante do crime e chefe do tráfico na região, e Arielson da Conceição Santos, indicado como um dos executores. Eles respondem por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito. Arielson também é acusado de roubo.

Mãe Bernadete foi morta em 17 de agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Segundo a denúncia, ela foi assassinada com 25 tiros dentro da própria casa, na presença de três netos, que foram trancados em um quarto antes dos disparos.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil, com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), apontam que o assassinato teria sido motivado pela atuação da líder contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade. Conforme a acusação, ela se posicionava contra a instalação de um bar atribuído a integrantes da facção local, erguido em área de preservação permanente.

Além dos dois réus cujo julgamento foi adiado, outras três pessoas foram denunciadas por participação no crime e devem ser julgadas separadamente.

Mãe Bernadete era coordenadora nacional da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos) e liderava o Quilombo Pitanga dos Palmares. A morte dela teve repercussão nacional e reacendeu denúncias sobre ameaças e violência contra lideranças quilombolas na Bahia.