Juiz de Fora tem comércio fechado, vigília à noite e inquietação de moradores por notícias falsas
JUIZ DE FORA, MG (FOLHAPRESS) - A primeira noite após a chuva que causou estragos em Juiz de Fora, na zona da mata de Minas Gerais, foi de boa parte do comércio de bares, restaurantes ou shoppings fechado mesmo em áreas que não foram atingidas por enchentes ou deslizamentos de terra. Nesses locais, a noite e madrugada foram de vigília na busca por desaparecidos e possíveis soterrados.
Até a manhã desta quarta-feira (25) o Corpo de Bombeiros contabilizava 36 mortos, sendo 30 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Havia também outros 31 desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá. Os bombeiros afirmam que 208 pessoas foram resgatadas com vida.
Para esta quarta há previsão de novos temporais na faixa centro sul do estado, principalmente, na região de Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas pelas chuvas da noite de segunda (23).
De acordo com o boletim do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) para esta quarta, a zona da mata mineira tem risco muito alto (a maior graduação) tanto para alagamentos quanto para deslizamentos de terra.
Na noite desta terça o centro de Juiz de Fora tinha apenas farmácias, mercados e algumas padarias abertas. Bares, restaurantes e demais setores do comércio fecharam as portas, incluindo o shopping Jardim Norte, principal do município que não deu previsão de retorno.
No centro, os sinais da forte chuva que caiu segunda-feira (23) estão no rio Paraibuna, que corta a avenida Brasil, trecho da BR-267 e principal via do município. A água do rio tem coloração de lama. A paisagem da cidade tem alguns clarões abertos, causados pelos deslizamento.
Escolas e universidades, incluindo a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), ficarão fechadas até sexta-feira (27). Algumas unidades de ensino se tornaram abrigo para desalojados. A UFJF vai abrir exclusivamente para almoço, com entrega de um kit lanche como reforço de alimentação.
Com ônibus circulando com itinerário reduzido, boa parte do comércio fechado se dá pela impossibilidade de funcionários se deslocarem, especialmente os que precisam sair de bairros mais afetados pela chuva, como Parque Burnier, São Benedito e Lourdes.
No Parque Burnier, um conjunto de casas desabou com o desmoronamento de um barranco na segunda-feira, deixando mortos e desaparecidos. O Corpo de Bombeiros removeu alguns corpos ao longo de terça e manteve as buscas durante a madrugada desta quarta-feira (25).
Os bombeiros são auxiliados por moradores voluntários, que trabalham para buscar equipamentos, como lanterna, serra e refletores, e mantimentos. O bairro é tomado por ladeiras e camionetes com doações não conseguem subir, por conta do piso escorregadio, por isso, alguns moradores fazem a entrega das doações a pé.
"Ficamos nessa busca na madrugada de terça. Era tanta gente e o bairro estava tão iluminado que nem parecia madrugada. E estamos fazendo isso de novo nesta quarta. Vamos ficar aqui até encontrar o último", afirma o pastor evangélico Alexandre Rosa, 48, que perdeu uma sobrinha no deslizamento.
Em meio à comoção, moradores ainda encaram a circulação de notícias falsas em grupos de mensagens. Em Juiz de Fora e Comendador Levy Gasparian, município do Rio de Janeiro na divisa com Minas Gerais, as prefeituras precisaram desmentir a informação de que havia risco de rompimento de represas.
Em um dos grupos, uma moradora de Levy Gasparian comentou que havia passado mal diante da notícia falsa. A mãe tem dificuldades de locomoção e ela afirmou considerar difícil o deslocamento, se fosse necessário.
Há também mensagens falsas mencionando a evacuação de bairros que não foram alertados. Na terça, a prefeitura divulgou uma lista de nos bairros Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras, que precisaram ser evacuadas.
"Em meio a essa situação que estamos vivenciando, muitos boatos e informações inverídicas podem atrapalhar o trabalho das equipes", publicou a prefeitura de Juiz de Fora nas redes sociais.
O município divulgou ainda na terça a criação de uma chave Pix para concentrar doações, diante da circulação de outras chaves atribuídas a voluntários individuais.
