Caso Marielle Franco já condenou 14 pessoas e tem processos pendentes
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A condenação dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) não encerra todos os processos do caso. Ainda há ações penais em curso para punição de supostos envolvidos no homicídio e na sua ocultação.
No total, 14 pessoas já foram condenadas em processos envolvendo a morte da vereadora, seja no planejamento, na execução ou na obstrução da investigação. O crime, segundo as apurações já concluídas, envolveu ao menos 17 pessoas.
Segundo o STF (Supremo Tribunal Federal) julgou nesta quarta-feira (25), os mandantes do crime foram o ex-deputado Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro).
Segundo os ministros da Primeira Turma, eles decidiram matar a vereadora para impedir que ela continuasse a prejudicar os interesses da família em práticas de grilagem de terras. Eles negam a acusação
Os irmãos foram delatados por Ronnie Lessa, o ex-PM que confessou ter matado a vereadora e seu motorista Anderson Gomes e firmou um acordo de colaboração premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República). Ele decidiu auxiliar nas investigações após o ex-PM Élcio de Queiroz, motorista do carro usado na emboscada, também firmar uma delação.
Os dois foram condenados em 2024 pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro a 78 e 59 anos de prisão, respectivamente. Eles recorrem para alterar a pena imposta pela Justiça.
Lessa disse que foi procurado para cometer o crime pelo PM Edmilson Oliveira, que teria vínculo com os Brazão. Conhecido como Macalé, ele foi morto em 2019 numa "queima de arquivo", segundo avaliou o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. O inquérito sobre o homicídio ainda não foi concluído.
O STF também condenou o delegado Rivaldo Barbosa, chefe de Polícia Civil à época do crime, por interferir na investigação de modo que os reais executores e mandantes não fossem descobertos. Ele nega envolvimento no caso.
O delegado Gininton Lages, responsável pela primeira fase da investigação, e o policial Marco Antonio de Barros Pinto, conhecido como "Marquinho DH", também foram acusados pela PGR há duas semanas de participar do embaraço à apuração. O caso ainda não foi analisado pelo STF. Eles negam as acusações.
Já a delação de Queiroz levou à condenação de Edilson Barbosa dos Santos, o "Orelha", apontado com o responsável pela destruição do veículo usado na emboscada. Ele nega o crime e recorre da sentença.
A Justiça fluminense também já condenou o ex-PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira, sob acusação de prestar depoimento no inquérito para atrapalhar a elucidação do caso. Os acusados negam o crime e recorrem da decisão.
Outras cinco pessoas foram condenadas por participar do descarte de armas de Lessa no mar logo após o crime. A suspeita de investigadores era de que a submetralhadora MP-5 utilizada na morte de Marielle e Anderson estivesse em meio ao arsenal. O ex-PM afirma que apenas o silenciador utilizado poderia estar no material e diz que a arma usada na emboscada à vereadora foi devolvida a Macalé.
Neste caso foram condenados a mulher do ex-PM, Elaine Lessa, o cunhado dele, Bruno Pereira Figueiredo, o ex-bombeiro Maxwell Simões Correa, o "Suel", José Mantovano e Josinaldo Lucas Freitas. Todos negam o crime.
Suel também responde, com base na delação de Élcio de Queiroz, por participação no planejamento do homicídio de Marielle. A Justiça já pronunciou o ex-bombeiro, levando o caso para o Tribunal do Júri.
Ele nega participação no crime. Em sua delação, Lessa nega que o ex-bombeiro soubesse dos planos de matar Marielle, mas afirma que o carro clonado usado na emboscada foi obtido com Maxwell.
