Educação profissional cresce 24% puxada por oferta de itinerário técnico no ensino médio
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - As matrículas de educação profissional no ensino médio tiveram um salto em 2025, sobretudo por causa da oferta de itinerários formativos dessa modalidade dentro da carga horária dos alunos. A alta geral foi de 24%, incluindo alunos de escolas públicas e privadas.
Os dados fazem parte do Censo Escolar de 2025, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo MEC (Ministério da Educação). O levantamento, com um panorama da educação brasileira, é de responsabilidade do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado ao ministério.
A reforma do ensino médio, cujas regras de flexibilização do currículo foram criadas em 2017 e alteradas em 2024, prevê a oferta de cinco itinerários formativos: linguagens, ciências humanas, ciências da natureza, matemática e ensino técnico profissionalizante. A previsão é que os alunos escolham qual itinerário seguir, além de cursarem uma parte de matérias comum a todos.
O Censo Escolar de 2025 registra 3.187.976 alunos de educação profissional ?eram 2.576.293 em 2024. Do total do ano passado, 2.188.893 alunos de educação profissional estão em escolas públicas.
A maior parte das matrículas dessa modalidade está vinculada ao "Ensino médio articulado ao itinerário formativo técnico profissional ? curso técnico", com 1,2 milhão de matrículas. Essa é uma nova classificação incluída na edição de 2025 do Censo.
Em 2024, as matrículas discriminadas como "ensino técnico integrado ao médio" somavam 985 mil em todo país.
De acordo com o MEC, as redes de ensino e escolas foram orientadas a informar as turmas do ensino médio integrado como "Ensino médio articulado ao itinerário formativo técnico profissional ? Curso Técnico".
Apesar disso, a pasta diz que pode haver casos de alunos vinculados a uma escola na formação básica geral (parte comum do currículo) e a outra unidade diferente no itinerário técnico ?fazendo com que haja duplicação de registros, por exemplo.
Os dados de 2025 trazem detalhes sobre o tipo de curso feito pelos alunos nos itinerários técnicos articulados ao ensino médio. Pouco mais da metade das 1,2 milhão de matrículas desse tipo está em cinco cursos: administração (22% sobre o total), informática (10%), desenvolvimento de sistemas (9%), agropecuária (6%) e logística (4%).
São descritos 195 cursos. Em 43 deles não há registro de matrículas.
A ampliação da formação técnica e profissional é apontada como positiva por especialistas ?a proporção de estudantes nesse tipo de formação é alta em vários países desenvolvidos. A indução à entrada no mercado profissional e o interesse dos jovens são alguns dos motivos para essa aposta.
Há pesquisas que mostram que egressos de cursos técnicos (exclusivos, não no modelo de itinerário) têm bons ganhos salariais e penetração positiva no mercado de trabalho.
No entanto, a ampliação resultante da reforma do ensino médio, no formato de itinerários, ainda inspira dúvidas com relação à qualidade. Em muitas redes, os cursos técnicos têm sido oferecidos dentro das próprias escolas regulares, sem que elas tenham recebido investimentos ou reformas para oferecer laboratórios ou outros espaços necessários para o aprendizado proposto.
Os tipos de cursos técnicos disponíveis também fazem a diferença. A oferta dos itinerários de nível técnico pode ocorrer em parceria com instituições privadas. Segundo o Censo Escolar, 999 mil estudantes de educação profissional estão em instituições de ensino privadas conveniadas com o poder público.
As matrículas de ensino técnico concomitante (não integrado à carga do ensino médio regular) eram de 993 mil em 2024 e passaram no ano passado para 832 mil. Já o ensino técnico subsequente (realizado após a conclusão do ensino médio) também registrou queda, passando de 598 mil para 520 mil no mesmo período.
Com a reforma do ensino médio, a etapa ficou dividida em dois blocos: a parte comum e os itinerários formativos. A alteração aprovada pelo governo Lula (PT) em 2024 ampliou a carga da parte comum, com relação ao que havia sido definido no governo de Michel Temer (MDB).
Foi ampliado para 2.400 horas a parte comum (de uma carga total de 3.000 horas). O texto deixou uma exceção: para estudantes da educação técnica profissional, essa base geral pode ser menor, de 2.100 horas (prevendo que 300 horas desse montante deve aliar a formação geral e o ensino técnico).
