Rede estadual de ensino médio de SP tem queda de 17% de alunos; recuo é 2,5 vezes a média nacional
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - São Paulo foi o estado que registrou a maior queda de matrículas no ensino médio no ano passado. O recuo registrado nas escolas estaduais paulistas é 2,5 vezes o registrado na média das redes estaduais de todo o país, segundo o Censo Escolar de 2025.
O levantamento foi divulgado na manhã desta quinta-feira (26) pelo MEC (Ministério da Educação). Os dados, que trazem o panorama da educação brasileira, são de responsabilidade do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), ligado à pasta.
As redes estaduais são responsáveis por 82% das matrículas do ensino médio no país. Em 2025, elas tiveram uma queda de 6,62% no número de estudantes em relação ao ano anterior.
Em 2024, as redes estaduais tinham 6.475.182 estudantes matriculados. Esse número caiu para 6.046.720 no ano passado ?as escolas estaduais perderam quase meio milhão de alunos em apenas um ano (428.462).
A rede estadual paulista foi a que registrou percentualmente e em números absolutos a maior queda de matrículas, de 17%.O estado governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) tinha 1.514.428 alunos no ensino médio em 2024. O número caiu para 1.257.489 no ano passado. Uma perda de 256.939 matrículas na etapa.
Já as escolas particulares do estado de São Paulo tiveram um aumento de 2,46% de matrículas nesse período. Em 2024, elas tinham 301.555 estudantes no ensino médio e o número subiu para 308.999 em 2025.
Não foram disponibilizadas informações mais robustas que permitam explicar o fenômeno, como taxas de abandono, reprovação e aprovação. Os dados, entretanto, indicam uma possível evasão ou abandono de estudos, sobretudo entre estudantes com menos de 18 anos.
Segundo o Censo Escolar, a rede estadual de São Paulo teve uma queda de 217.080 alunos de 15 a 17 anos. Também houve uma redução de 33.498 matrículas entre aqueles com 18 a 20 anos, no mesmo período.
Entre os estudantes com mais de 20 anos, o número de matrículas caiu quase pela metade. Em 2024, as escolas estaduais tinham 3.850 estudantes acima dessa idade cursando o ensino médio. Em 2025, eram apenas 1.958.
Não houve, no entanto, aumento de matrículas na EJA (Educação de Jovens e Adultos), modalidade para aqueles que não tiveram o direito de estudar na idade adequada.
Em 2024, 101.632 alunos estavam matriculados nas turmas dessa modalidade nas escolas paulistas. Esse número caiu para 82.530, em 2025 ?redução de 18,8%.
Mais uma vez o Brasil atingiu o menor patamar de matrículas de EJA desde o início da série histórica, em 1996. Eram 2.391.319 milhões de jovens e adultos matriculados nessa modalidade em 2024, mas houve recuo para 2.252.069, em 2025.
Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais são os estados com o maior número de municípios que não oferecem nenhuma vaga de EJA. Juntos, eles têm mais de 1,9 milhão de analfabetos com mais de 15 anos ?o que representa mais de um quinto de toda a população nessa condição no país.
O Paraná, governado por Ratinho Júnior (PSD) foi o estado com a segunda maior redução de matrículas no ensino médio, com queda de de 8,65%. O que significa 30.194 matrículas a menos entre 2024 e 2025. Rio Grande do Sul também teve queda de 6,99%, com a perda de 18.531 matrículas.
Apenas Goiás, Amapá e Distrito Federal registraram pequenas variações positivas no número de alunos matriculados no ensino médio.
