Madrasta acusada de matar enteada envenenada vai a júri popular no RJ

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que Cíntia Mariano Dias Cabral, denunciada por envenenar a enteada, Fernanda Cabral, vá a júri popular.

Julgamento está marcado para começar em 4 de março. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a acusada teria colocado veneno na comida que serviu a Fernanda em 15 de março de 2022. A jovem passou mal após a refeição e morreu duas semanas após ser hospitalizada.

Ré também vai ser julgada por tentar matar irmão mais novo da vítima. Dois meses após a morte de Fernanda, Cíntia teria colocado veneno em um prato com feijão servido a Bruno Cabral, que tinha 16 anos à época.

Ministério Público diz que há prova da materialidade e da autoria. De acordo com os autos, as duas vítimas apresentaram sintomas compatíveis com intoxicação exógena por carbamato, princípio ativo do "chumbinho".

Laudos periciais concluíram que a morte de Fernanda e as lesões sofridas por Bruno decorreram de ação química provocada por envenenamento. De acordo com as investigações, o crime foi praticado por motivo fútil, pela ré ter ciúmes da relação dos enteados com o pai, Adeílson Jarbas Cabral.

Esta é a segunda vez que o caso vai a julgamento. Em outubro do ano passado, o julgamento foi adiado depois que a defesa de Cíntia deixou o plenário com a alegação de falta de testemunha imprescindível e de diligências.

RELEMBRE O CASO

Suspeitas começaram após Bruno relatar gosto estranho e "pedrinhas azuis" em uma refeição oferecida por ela a ele. O jovem estava na casa do pai quando questionou a madrasta sobre a substância na comida. "Quando ela ficou toda nervosa, desesperada, pegando o meu prato, eu já sabia que tinha algo errado. Ela pegou meu prato, retirou as bolinhas que eu cheguei a separar e botou mais feijão", disse ele ao Fantástico na época.

Polícia Civil exumou corpo de Fernanda após abrir investigação. Quando ela morreu, o caso foi registrado como morte súbita.

Filhos biológicos da ré depuseram nas investigações. Lucas e Carla disseram que a mãe teria colocado mais feijão no prato de Bruno após a primeira reclamação do jovem. Lucas afirmou também que Cíntia confessou a ele que havia colocado chumbinho e que havia feito "a mesma coisa com Fernanda, tudo por amor a Adeilson".

Cíntia cuidou de 14 crianças durante oito anos por meio do programa Família Acolhedora. Ela recebeu R$ 48 mil como ajuda de custos para cuidar dos acolhidos, segundo informações do Jornal O Globo, entre os anos de 2013 e 2021 na cidade do Rio de Janeiro.