Veja em 10 pontos o que se sabe sobre caso de estupro coletivo em Copacabana
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Quatro jovens do Rio de Janeiro tiveram suas prisões preventivas decretadas após se tornarem réus pelo crime de estupro. Eles são acusados de estuprar, de forma coletiva, uma jovem de 17 anos. Dois dos acusados, assim como a vítima, eram estudantes do colégio Pedro 2º, tradicional escola federal do Rio de Janeiro. Os supostos agressores foram expulsos da escola. A polícia pede ajuda da população para auxiliar em denúncias sobre o paradeiro dos suspeitos.
Veja em dez pontos o que se sabe sobre o caso.
1. ONDE E QUANDO A DENÚNCIA APONTA QUE O CRIME OCORREU?
O crime ocorreu, segundo a acusação, na noite de 31 de janeiro, em um apartamento localizado na rua Viveiros de Castro, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O imóvel pertence à família de um dos envolvidos, segundo a vítima, mas não estava ocupado.
2. QUEM SÃO OS SUSPEITOS IDENTIFICADOS PELA POLÍCIA?
Os acusados maiores de idade são Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18, Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, João Gabriel Xavier Bertho, 19, e Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19. Há também um adolescente de 17 anos, ex-namorado da vítima, que pode ser responsabilizado por crime análogo ao estupro e também é procurado.
3. COMO A VÍTIMA FOI ATRAÍDA PARA O LOCAL?
Ela foi convidada por meio de mensagens de WhatsApp enviadas pelo ex-namorado, que perguntou se ela estava em Copacabana. A adolescente foi ao encontro do ex-namorado e, enquanto tinham uma relação consensual, os outros rapazes entraram no quarto.
4. QUAIS VIOLÊNCIAS SEXUAIS E FÍSICAS FORAM RELATADAS NO DEPOIMENTO?
A vítima afirmou ter sido impedida de sair do quarto e forçada a praticar sexo oral com todos os envolvidos até que eles ejaculassem. Ela relatou ter sofrido penetração vaginal coletiva e tentativa de penetração anal. A adolescente relatou também ter sido agredida com socos e tapas enquanto os jovens se revezavam no ato. Além disso, o ex-namorado teria desferido um chute na região abdominal esquerda da vítima.
5. O QUE ACONTECEU APÓS O ESTUPRO, SEGUNDO O DEPOIMENTO?
De acordo com a vítima, um dos jovens pediu que ela levasse uma "amiga boa igual" na próxima vez. Seu ex-namorado a orientou a não ficar sem roupas na frente da mãe, porque ela estava sangrando. Ao sair do apartamento, a jovem buscou ajuda da família, que a levou à delegacia. A perícia policial a orientou a ir ao hospital para realizar exames para verificar uma possível fratura de costela decorrente das agressões.
6. O QUE O LAUDO DO IML CONFIRMOU SOBRE O ESTADO DAS VÍTIMAS?
O exame de corpo de delito confirmou a existência de vestígios de conjunção carnal recente, atos libidinosos e violência real. Foram encontradas lesões nas regiões genital, glútea e dorsal.
7. QUAL A SITUAÇÃO JURÍDICA E O PARADEIRO DOS SUSPEITOS?
A Justiça expediu mandados de prisão preventiva para os quatro maiores de idade. Após a operação policial "Não é Não", nenhum deles foi localizado em seus endereços, sendo atualmente considerados foragidos.
8. O QUE A DEFESA DOS RÉUS ALEGA?
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, representado pelo advogado Rafael De Piro, nega as acusações, sustentando que mensagens de texto provam que a jovem "sabia da presença prévia dos outros rapazes" no local. Afirma ainda que a vítima teria consentido inicialmente com a presença deles no quarto durante o encontro íntimo com o amigo. O processo está sob sigilo e a reportagem não conseguiu localizar as defesas dos outros réus.
9. QUAL FOI A POSTURA DAS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS E DA POLÍCIA SOBRE O GRUPO?
O Colégio Pedro 2º desligou dois dos suspeitos que eram seus alunos e repudiou a violência. Paralelamente, a Polícia Civil investiga se o grupo cometeu outros crimes semelhantes, baseando-se em relatos de possíveis outras vítimas surgidos na internet.
10. POR QUAL CRIME OS RÉUS RESPONDEM?
Os jovens são réus pelo crime de estupro qualificado, pela vítima ser menor, majorado pelo concurso de pessoas, que é quando o crime é praticado por dois ou mais agressores. Nesse caso, quando há a participação de mais de uma pessoa, a conduta é considerada mais grave. Por isso, a lei determina o aumento da pena final em um quarto. O Código Penal também estabelece que todos que concorrem para o crime respondem por ele na medida de sua culpabilidade. Pode haver agravamento adicional para quem organiza, dirige ou promove a cooperação entre os agentes. A pena prevista para o estupro, neste caso, é de reclusão de oito a 12 anos em caso de condenação.
