Nível das represas de SP melhora, mas restrições continuam para a população
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O volume dos sete reservatórios de água que compõem o SIM (Sistema Integrado Metropolitano) da região metropolitana de São Paulo praticamente dobrou em três meses, devido às chuvas do verão, passando de 25,9% em 30 de novembro para 48,2% em 28 de fevereiro.
Essa elevação do nível das represas dá certo alívio para os paulistas que enfrentaram a pior estiagem dos últimos dez anos na Grande São Paulo. No entanto, ainda não é o suficiente para a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) rever as restrições que impôs desde agosto passado, quando ordenou à Sabesp, a companhia de abastecimento do estado, a redução da pressão noturna, para diminuir a perda por vazamentos e também o consumo da população, preservando, por consequência, o nível dos mananciais.
Entre os dias 27 de agosto e 21 de setembro, a medida ocorreu por oito horas, das 21h às 5h. A partir de 22 de setembro, o horário foi ampliado em duas horas, com início às 19h e término às 5h.
Segundo a Sabesp, desde o início da redução foram economizados 103 bilhões de litros de água na região metropolitana, um volume suficiente para garantir o abastecimento das cidades da região por 20 dias.
Para tomar as resoluções, como a redução da pressão da água, a Arsesp segue uma tabela de faixas que leva em conta a situação dos mananciais e também a previsão de chuvas. Ela faz parte do novo modelo de gestão integrada dos recursos hídricos, implementado em outubro pela agência em parceria com a SP Águas e a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).
FAIXAS DE ATUAÇÃO DA ARSESP NO SIM
Faixa de normalidade - 100% a 57,9%
- Faixa 1 - 57,08% a 51,09%
- Faixa 2 - 51,08% a 45,09%
- Faixa 3 - 45,08% a 39,09%
- Faixa 4 - 39,09% a 33,09%
- Faixa 5 - 33,08% a 23,09%
- Faixa 6 - 23,08% a 13,09%
- Faixa 7 - Abaixo de 13,09%
_Fonte: Arsesp_
Quando decidiu pela ampliação da restrição, em 13 de agosto, o nível do SIM estava na faixa 3 e, atualmente, com a melhora, está na faixa 2 há oito dias, com 48,95% nesta segunda-feira (2). No entanto, para haver uma alteração, é preciso que a faixa esteja ativa por 14 dias seguidos.
Desta forma, pelo menos até o próximo domingo (8) a situação permanecerá como a atual.
"O Estado de São Paulo conta atualmente com um sistema integrado e mais resiliente de reservatórios, capaz de enfrentar períodos prolongados de estiagem. A Arsesp reforça a importância do uso consciente da água. Pequenas atitudes, como fechar a torneira ao escovar os dentes ou lavar a louça, reduzir o tempo de banho, reaproveitar a água da máquina de lavar e corrigir vazamentos, contribuem para a recuperação dos mananciais e ajudam a assegurar água para todos", diz a agência reguladora em nota à reportagem.
Para ampliar a resiliência do sistema, em novembro passado foi iniciada a captação do rio Itapanhaú, em Bertioga, na Baixada Santista, e a transferência para o Sistema Alto Tietê, elevando o seu nível em 17%.
A Sabesp informa ainda que está investindo mais de R$ 5 bilhões em novas obras até 2027, incluindo novas captações e a ampliação da capacidade de tratamento em diferentes sistemas.
"A Sabesp reconhece que os desafios do abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo são históricos, estruturais e amplamente conhecidos, decorrentes de um sistema complexo, altamente demandado e sujeito a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Para enfrentar esse cenário de maneira definitiva, a companhia vem executando um conjunto estruturado de obras estratégicas voltadas ao fortalecimento da segurança hídrica e da resiliência dos sistemas", diz a companhia de saneamento.
Um dos motivos que geram preocupação é que março é o último mês com grande volume de chuva esperado antes de a precipitação começar a diminuir. No ano passado, por exemplo, o nível do SIM estava em 61,6% em 28 de fevereiro e em 58,1% em 31 de março.
E as chuvas de janeiro e fevereiro foram abaixo do esperado na capital paulista. De 292,1 mm na normal climatológica de janeiro, houve apenas 256,8 mm de precipitação, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Em fevereiro, dos 257,7 mm esperados, choveu apenas 159,8 mm.
Claro que as chuvas que atingem outras regiões, como Vale do Paraíba, Alto Tietê, Cotia e Guarapiranga, também ajudam a recuperar o sistema integrado, mas o principal reservatório é o Cantareira, que abastece cerca de metade da população da região e é atualmente o de nível mais baixo, com 36,2% do seu volume original nesta segunda.
