Ela sentia culpa e queria desistir da vida, diz mãe de vítima de estupro coletivo no RJ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A mãe da jovem vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro disse nesta segunda-feira (2) que a filha "se sentia muito culpada e queria desistir da vida por vergonha". A garota, segundo ela, "achava que por onde ela passasse todo mundo iria apontar para ela como estuprada".
As declarações foram dadas em entrevista à TV Globo.
O caso ocorreu em 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana e envolve quatro jovens, foragidos da Justiça e alvos de mandados de prisão preventiva, além de um adolescente cuja apreensão também foi solicitada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).
Dois dos suspeitos estudam no Colégio Pedro 2º, unidade Humaitá, um dos mais tradicionais do Rio, e foram desligados da instituição.
A mãe só descobriu o que acontecera quando ouviu da filha que o pior pesadelo de uma menina havia ocorrido. "Foi quando ela suspendeu o vestido mais ou menos até aparecer a nádega e eu fiquei desesperada. Só catei os documentos e falei 'vamos para a delegacia'", disse durante a entrevista.
A vítima tem 17 anos e foi atraída ao imóvel por um outro adolescente da mesma idade, que seria seu ex-namorado. Quando eles estavam tendo relação, os outros homens ?todos maiores de idade? entraram no quarto e atacaram a jovem.
"Ela está conseguindo se conscientizar de que não tem culpa, de que não está sozinha e de que ela importa", afirmou a mãe. "O 'não' dela importa. Eu só quero que eles paguem porque não tem que haver outras vítimas."
O exame de corpo de delito identificou lesões relacionadas à violência física, como ferimentos na área genital, sangue no canal vaginal e hematomas nas costas e nos glúteos. Ao sair do apartamento, a adolescente disse que um dos jovens pediu a ela que levasse uma amiga da próxima vez.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, e João Gabriel Xavier Bertho e Matheus Veríssimo Zoel Martins, de 19 devem responder à acusação de estupro qualificado.
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho nega as acusações e disse nesta terça-feira (2) que duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feito anteriormente. A reportagem não localizou a defesa dos demais envolvidos. O processo tramita sob sigilo.
