Mães denunciam 2 novos estupros coletivos que teriam sido praticados pelos mesmos suspeitos no RJ
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Duas novas denúncias de estupro foram feitas à polícia contra alguns dos mesmos acusados de violentar sexualmente uma adolescente de 17 anos em janeiro deste ano em um prédio de Copacabana, no Rio de Janeiro. Os registros foram feitos pelas mães de outras duas adolescentes e devem passar a ser investigados pela delegacia responsável.
Um desses registros narra um abuso supostamente cometido em 2023, quando a vítima tinha 14 anos. Na denúncia, a mãe da vítima menciona três suspeitos, entre eles Matheus Veríssimo Zoel Martins, preso nesta terça, e o adolescente, que teria 14 anos à época. Menciona ainda uma pessoa de nome Gabriel, que a polícia ainda investiga se se trata ou não de João Gabriel Xavier Bertho, outro preso desta terça.
O caso de 2023, ainda segundo o relato feito à polícia, teria ocorrido no apartamento de Matheus. A polícia não informou o endereço, ou bairro do local.
O terceiro suposto caso foi relatado nesta terça-feira (3) pela mãe da vítima, que depôs na delegacia. Ele teria acontecido em um salão de festas e a polícia ainda investiga quantos suspeitos teriam participado. O depoimento inicial menciona apenas Vitor Hugo.
"O que a gente percebeu no depoimento dessa mãe que veio aqui, e a gente não ouviu a vítima ainda, é que ela relatou o mesmo modus operandi. A adolescente já tinha um relacionamento com ele (suspeito) e a atraiu para o imóvel", afirmou o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
"A investigação está no começo, a gente precisa avançar. Tudo feito na delegacia é de uma forma muito técnica. Caso realmente tenham cometido crimes com outras vítimas, que eles sejam punidos re sponsabilizados."
Quanto à acusação de janeiro deste ano, a delegacia indiciou quatro jovens sob suspeita de estupro em um apartamento de Copacabana. Um adolescente de 17 anos também é suspeito de envolvimento e deve responder separadamente no âmbito da legislação relativa ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
Matheus Verissimo Zoel Martins, 19, foi preso na manhã desta terça-feira (3) após se entregar à polícia fluminense. Horas depois foi a vez de João Gabriel Xavier Bertho, 19, se apresentar. Outros dois acusados, Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, são considerados foragidos.
O grupo é procurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro desde a semana passada.
Na sexta-feira (27), a Justiça aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público e tornou os jovens réus pelo crime de estupro qualificado, pela vítima ser menor, majorado pelo concurso de pessoas, que é quando o crime é praticado por dois ou mais agressores. Nesse caso, quando há a participação de mais de uma pessoa, a conduta é considerada mais grave.
Por isso, a lei determina o aumento da pena final em um quarto. O Código Penal também estabelece que todos que participaram do crime respondem por ele na medida de sua culpabilidade. Pode haver agravamento adicional para quem organiza, dirige ou promove a cooperação entre os agentes. A pena prevista para o estupro, neste caso, é de reclusão de oito a 12 anos em caso de condenação.
A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, representada pelo advogado Rafael De Piro, nega as acusações, sustentando que mensagens de texto provam que a jovem "sabia da presença prévia dos outros rapazes" no local. Afirma ainda que a vítima teria consentido inicialmente com a presença deles no quarto durante o encontro íntimo com o amigo.
O processo está sob sigilo e a reportagem não conseguiu localizar as defesas dos outros réus.
