Preso em operação contra suposto esquema na Polícia Civil trabalhou para deputado na Alesp
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos alvos da operação de quinta-feira (5) contra suspeitos de integrar suposto esquema de corrupção na Polícia Civil de São Paulo, Antônio Carlos Ubaldo Júnior foi durante um ano e dois meses funcionário comissionado do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Ubaldo foi preso nesta sexta-feira (6) em Araraquara, no interior de São Paulo. Ele atuou como assistente do parlamentar de 12 de abril de 2023 a 13 de junho de 2024. Seus vencimentos somavam R$ 9.632,73 por mês.
A Folha de S.Paulo ligou dez vezes para o gabinete do parlamentar na manhã desta sexta-feira (5), mas ninguém atendeu. Tentou também contato pelo email institucional de Moraes, igualmente sem retorno. A defesa de Ubaldo, por sua vez, não retornou às tentativas de contato feitas por telefone e por mensagens de texto.
Ubaldo, segundo as investigações conduzidas conjuntamente pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e pela PF (Polícia Federal), era um dos responsáveis pela intermediação de propina aos policiais civis.
O esquema teria começado em 2022 e envolvia pessoas e empresas suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O grupo chegou a ser alvo de uma operação, mas os policiais responsáveis pelas investigações nunca chegaram a concluir o inquérito, que permanece aberto há mais de cinco anos.
A partir de então os suspeitos passaram a pagar agentes de Estado para evitar que fossem responsabilizados, de acordo com o Ministério Público. As investigações apontam indícios de que policiais embaraçavam o andamento do caso a partir da destruição de provas ou da mudança em relatórios oficiais.
Na quinta, a Secretaria de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freita (Republicanos) disse em nota que "a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades".
Afirmou também que "determinou a realização de rigorosas apurações administrativas em todas as unidades onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão relacionados à Operação Bazaar, conduzida pelo Ministério Público em conjunto com a Polícia Federal e com a Corregedoria Geral da própria Polícia Civil".
Ubaldo, segundo a decisão que autorizou a operação de quinta-feira, foi um dos articuladores do plano que envolvia trocar um HD apreendido durante a operação. O aparelho teria informações comprometedoras e seria trocado por um vazio, aponta o MP-SP. A manobra se daria por meio de um advogado.
Um áudio obtido durante as investigações mostra Ubaldo dizendo a um interlocutor, também preso, que policiais "arredondariam a situação a favor do grupo".
Para o Ministério Público, a declaração "evidencia a clara tentativa de influenciar indevidamente o servidor responsável, com o objetivo de alterar o curso de investigação" e "vai ao encontro das conversas que indicaram a subtração e substituição de HD apreendido".
O inquérito aponta indícios de crimes de lavagem de dinheiro cometidos por Ubaldo durante o período em que foi assistente parlamentar de Moraes na Alesp. O Ministério Público cita movimentações financeiras com indícios de lavagem de dinheiro entre agosto de 2023 e fevereiro de 2024.
Ao todo, as cifras sob suspeita chegam a R$ 1,3 milhão.
Ubaldo não é o único ex-funcionário de Moraes alvo de investigações. O gabinete do parlamentar também já abrigou Paulo Iran Costa, apontado como operador de propina num suposto esquema em São Bernardo do Campo, e Rosângela Lima, mulher do prefeito municipal Marcelo Lima (Podemos). Ambos negam irregularidades.
