Mãe é presa suspeita de enviar foto da filha a piloto investigado por abuso
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma mulher foi presa hoje no Espírito Santo suspeita de enviar fotos da filha de três anos para o piloto de avião Sérgio Antônio Lopes, 60, preso em São Paulo no mês passado, apontado pela polícia como líder de uma rede de abuso sexual infantil.
A mulher, 29, é suspeita de estupro de vulnerável, exploração sexual infantil e produção, venda e envio de vídeos do abuso sexual envolvendo a criança. Segundo as investigações, ela faria parte da mesma rede criminosa que já levou à prisão de três mulheres em São Paulo e Guararema (SP), além do piloto, que é apontado como líder do grupo.
Os vídeos de abuso contra a criança teriam sido encomendados pelo piloto. Segundo a Polícia Civil, a mulher ainda teria negociado encontros presenciais envolvendo a vítima. A criança foi localizada e está sob os cuidados de familiares, com acompanhamento do Conselho Tutelar.
A prisão ocorreu na zona rural de Marataízes (ES) durante a segunda fase batizada de Operação Apertem os Cintos. Um celular foi apreendido para perícia e a suspeita foi levada para Vitória, onde permanece à disposição da Justiça.
O UOL não localizou a defesa da mulher, já que sua identidade não foi divulgada. O espaço fica aberto para manifestações.
Sérgio Antônio Lopes foi preso em 9 de fevereiro dentro de uma aeronave no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Ele participava dessa rede de exploração havia pelo menos oito anos, segundo a Polícia Civil.
O homem chegou a pagar um aluguel em troca de imagens de exploração sexual. "Ele mandava Pix de R$ 50, R$ 100, chegou a pagar um aluguel por imagens que ele recebia", afirmou a delegada Ivalda Aleixo em entrevista coletiva no dia em que ele foi preso.
Meninas eram levadas a motéis pelo homem, que usava documentos falsos, segundo a polícia. Uma delas foi espancada por ele.
Ao menos dez vítimas foram identificadas. Conforme a polícia, no entanto, são "dezenas de outras", uma vez que o celular dele foi aberto com autorização judicial.
Piloto admitiu conhecer vítimas aos investigadores ainda no aeroporto de Congonhas, no mesmo dia da detenção. "Eu quero responder tudo o que for possível", afirmou em vídeo obtido pelo Fantástico, da TV Globo. Enquanto isso, os investigadores inspecionavam a mala e dois celulares dele. Ele sinalizou para a equipe que armazenava conteúdos de exploração infantojuvenil em um dos aparelhos, no WhatsApp.
Após a prisão, a companhia aérea Latam demitiu o piloto. Em nota divulgada na ocasião, a empresa disse adotar a política de tolerância zero para ações e atos que desrespeitem os seus valores, ética e código de conduta, e disse que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
