Empresário ligado a juiz federal preso é alvo de atentado no ES

Por ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Espírito Santo investiga um atentado na noite desta quarta-feira (11) contra o empresário Adilson Ferreira, alvo de uma operação contra o tráfico que provocou a transfrência de delegados da corporação.

O carro em que Ferreira estava foi atingido por ao menos quatro tiros. De acordo com o seu advogado, Douglas Luz, o empresário sobreviveu após simular ter sido baleado.

O secretário de Segurança Pública, Leonardo Damasceno, afirmou que o carro usado pelos criminosos já foi identificado. Segundo ele, dois homens participaram da emboscada.

"Ainda não sabemos a motivação do que aconteceu. É um empresário que, pelas investigações da Baest, atuaria em prol de um grupo criminoso. Então quem atua com grupo criminoso se submete a esse tipo de situação. Vamos ver em todas as nuances o que aconteceu", disse o secretário.

Douglas Luz afirmou que as acusações contra seu cliente são "infundadas com rubrica de interesse político e de autopromoção".

"Todas elas estão sendo devidamente rechaçadas. Esse é um relatório unilateral e que até o presente momento, quase seis meses após a sua elaboração, o Ministério Público sequer concordou com as indevidas imputações ali realizadas, eis que não houve oferecimento de denúncia", disse.

Ele afirmou também que os diálogos do empresário com o magistrado não contêm "qualquer referência a atos ilícitos". "A remessa de eventuais diálogos à PF foi apenas uma medida de cautela."

Ferreira foi um dos indiciados no relatório final da Operação Baest, deflagrada em maio de 2025 contra o suposto "braço financeiro" da facção Primeiro Comando de Vitória. A polícia encontrou no celular do empresário diálogos com o juiz federal Macário Júdice que indicavam a atuação do magistrado em licitações dentro da gestão Renato Casagrande (PSB).

Os diálogos foram solicitados pela Polícia Federal no mesmo relatório em que a corporação pediu abertura de inquérito contra Casagrande para apurar sua relação com o juiz, preso desde o ano passado sob suspeita de envolvimento com o vazamento de operações para o ex-deputado do Rio de Janeiro TH Joias, ligado ao Comando Vermelho.

Os quatro delegados que assinaram o relatório final indiciando Ferreira perderam seus cargos.

O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, retirou no mesmo dia Alan Moreno de Andrade do Ciat (Centro de Inteligência e Análise Telemática). Em 2 de outubro, José Lopes Pereira deixou a coordenação da unidade. Em dezembro, Ricardo de Almeida Soares foi transferido do Departamento de Homicídios para o de Narcóticos.

Casagrande, por sua vez, exonerou em 24 de outubro o delegado Romualdo Gianordoli Neto do cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança. Ele chegou a assumir um posto de assessor na pasta, mas foi dispensado em dezembro.

Logo após a saída, Romualdo passou a afirmar que foi afastado em razão do avanço da Operação Baest sobre "um empresário da Serra", em referência a Ferreira.

"Esse indivíduo tem contato com várias pessoas do alto escalão da sociedade. Pessoas que têm contato com o governo e pessoas que têm contato com a Polícia Civil, que infelizmente se encontra bastante corroída", afirmou ele, em sua rede social.

O secretário de Segurança do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, afirmou que as exonerações de Romualdo e Alan ocorreram por desgaste com o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda. O chefe da corporação afirma que os delegados não usaram o sistema oficial para registrar as provas coletadas e os relatórios do caso.

Damasceno disse também que nem ele nem o governador tinham conhecimento da existência de diálogos envolvendo Macário Júdice.

Em nota, o governador disse que o diálogo mantido com o magistrado era "institucional e republicano".

A reportagem enviou mensagem para o advogado Fernando Fernandes, que representa Macário, mas não obteve retorno.