Pedreiro foi baleado na zona sul de SP quando saía de casa para trabalhar, diz filha

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pedreiro Francisco Fontinelle, 56, foi baleado e morto pela Polícia Militar na manhã deste sábado (14) quando saía de casa para ir trabalhar. Os policiais fizeram uma ação em um baile funk no Jardim Macedônia, na região do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo.

De acordo com a filha de Francisco, Milena dos Santos Fontinelle, ele saiu de casa por volta das 5h30 para trabalhar, e parou em um bar para comprar cigarros quando foi baleado. Em entrevista à TV Globo, Milena contou que o pai ficou cerca de uma hora aguardando atendimento médico.

Ela gravou um vídeo enquanto o pai estava caído no chão, cercado por policiais. Nas imagens, ela pede para que ele seja socorrido. Segundo Milena, só depois de uma hora ele foi retirado do local e levado a um hospital, onde chegou morto.

"De tanto que a população gritou, porque todo mundo conhece meu pai e sabe que ele é uma vítima, que ele é trabalhador, eles deixaram", disse Milena.

Ela disse ainda que o pai não estava no baile funk e atingido por disparo em uma viela próxima à sua casa. "Meu pai foi baleado dentro da favela. Ele não estava no fluxo, não estava armado e não aguenta correr porque tem oito hérnias de disco", disse a filha. Segundo ela, Francisco foi morto com um tiro de fuzil.

Procurada na manhâ desta segunda (16) a respeito da demora no atendimento, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) não havia se manifestado até a publicação deste texto.

Além de Francisco, Kauã Lima, 22, também foi morto durante a ação policial. Segundo familiares, ele participava do baile funk quando foi atingido por um tiro no peito.

O CASO

A ação teve início pouco depois das 6h deste sábado e aconteceu em um local onde havia um baile funk.

De acordo com a SSP, policiais do 37º Batalhão teriam ido ao local após denúncia de que havia um pancadão. Ao chegarem, a equipe teria sido recebida a tiros por um indivíduo que conduzia uma motocicleta. O veículo estaria com placa adulterada. A passageira da moto era uma mulher, que foi ferida e levada ao Hospital Campo Limpo.

Depois, um outro homem passou a atirar contra os policiais, de acordo com a versão dos agentes. Ele também foi baleado e levado para à UPA Jardim Macedônia, onde morreu. Próximo do local da troca de tiros foi encontrado um terceiro baleado. Ele estava desarmado e foi encaminhado para um hospital.

Uma quarta pessoa ferida foi encaminhada para a UPA Jardim Macedônia, onde morreu. Outras três pessoas chegaram em hospitais da região com ferimentos de tiros.

Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, um único tenente da PM aparece no boletim de ocorrência como autor dos disparos por parte dos policiais.

O tenente envolvido na ocorrência não compareceu à delegacia ?o que está previsto em lei, já que o depoimento deve ser prestado na presença de advogado.

Tanto a arma dele quanto o revólver foram apresentados por uma soldada, que ficou responsável por relatar as circunstâncias do fato ao DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). Ela deixou registrado no documento que não presenciou o confronto.

A Polícia Civil classificou a ação como um cenário conturbado e informou ser necessário aguardar laudos, imagens das câmeras, depoimentos e análise de eventuais equipamentos de monitoramento na rua para determinar o que ocorreu.