Ministério Público abre inquérito para apurar conduta de ex-delegado-geral de SC no caso Orelha
PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O Ministério Público de Santa Catarina instaurou um inquérito para apurar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, em relação ao caso da morte do cão Orelha.
O pedido foi feito pela 40ª Promotoria de Justiça da Comarca de Florianópolis, responsável pelo controle externo da atividade policial, na última sexta-feira (13). O órgão vai investigar se Ulisses cometeu abuso de autoridade, vazamento de informações sigilosas do inquérito e improbidade administrativa.
Ulisses tem prazo de 15 dias, a partir da instauração do inquérito, para se manifestar sobre o procedimento e as considerações jurídicas apresentadas.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Ulisses por telefone, mas não recebeu resposta até a publicação da matéria.
Em nota, a Polícia Civil de Santa Catarina disse que as investigações transcorreram "com respeito institucional irrestrito à autonomia desses profissionais e sem indicativo de ingerência técnico-administrativa de qualquer outra autoridade policial dos quadros da instituição".
Segundo a Promotoria, o procedimento foi iniciado "a partir de diversas representações recebidas contra a conduta do delegado-geral no caso Orelha para avaliar a necessidade de instauração de inquérito civil para possíveis ações judiciais".
Na ocasião, também foram solicitadas medidas complementares à Polícia Civil devido a possíveis inconsistências nas investigações sobre a morte do animal.
A atuação de Ulisses, que deixou o cargo em 2 de março, foi alvo de críticas durante a apuração do caso.
Ele não era o responsável direto pelas investigações, que estavam a cargo dos delegados Renan Balbino, da Delegacia do Adolescente em Conflito com a Lei, e Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal.
Ulisses comandou a corporação desde o início do governo de Jorginho Mello, em 2023, mas se desincompatibilizou do cargo para concorrer às eleições.
Ele é pré-candidato a deputado estadual e se filiou ao PL neste domingo (15), em um ato com a participação do governador.
Em uma publicação nas redes sociais, também declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e aos pré-candidatos ao Senado Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni.
O QUE SE SABE SOBRE O CASO ORELHA
O cão comunitário Orelha morreu no dia 5 de janeiro, em Florianópolis. Segundo a polícia, ele foi atacado na madrugada da noite anterior. Resgatado por moradores, ele morreu em uma clínica veterinária, devido à gravidade dos ferimentos.
A Polícia Civil, que investigou o caso, pediu a internação de um adolescente suspeito de ter agredido o animal.
Entre as principais provas citadas está um vídeo que mostra um adolescente saindo de um condomínio da região às 5h25 e retornando às 5h58. A corporação estima que a agressão tenha ocorrido por volta das 5h30.
A defesa do jovem nega qualquer envolvimento e afirma que não há provas que o relacionem à agressão, e que o caso tem sido marcado por desinformação nas redes sociais. As famílias do jovem indiciado e dos outros jovens investigado e que não foram indiciados relatam ameaças virtuais e exposição de dados pessoais.
O laudo pericial elaborado após a exumação do corpo não identificou a causa da morte, mas também não descartou a possibilidade de trauma.