Justiça decreta prisão preventiva de delegada suspeita de elo com PCC

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva, por prazo indefinido, da delegada Layla Lima Ayub, 36, suspeita de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), e de Jardel Neto Pereira da Cruz, o Dedel, apontado como líder da facção criminosa. Eles estão presos temporariamente desde janeiro.

Na decisão que a manteve presa, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, são mencionados indícios de que a delegada acessou dados de um repositório digital em nuvem de um delegado, compartilhou dados sigilosos da Academia da Polícia Civil e divulgou uma música que faz apologia ao crime organizado.

As três condutas mencionadas somam-se às suspeitas iniciais contra Ayub, conhecidas à época da operação em que ela foi presa. A investigação apontou que ela namora um integrante da facção e atuou como advogada de forma irregular, após tomar posse como delegada, para defender suspeitos de integrar facções criminosas no Pará.

A reportagem entrou em contato com a defesa da delegada, por meio de ligação telefônica e mensagens de texto na manhã desta terça-feira (17), mas não houve manifestação até a publicação deste texto.

Segundo o juiz, o acesso a dados de um repositório em nuvem ocorreu para "antecipar-se a diligências, inclusive discutindo estratégias de obstrução" e há "risco concreto de destruição de vestígios digitais, combinação de depoimentos e intimidação indireta de agentes públicos".

Ayub tomou posse como delegada em dezembro de 2025, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, na zona sul da capital paulista, com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Desde então, fazia curso de formação na Academia da Polícia.

Na cerimônia, ela estava acompanhada de Dedel, 28, apontado como líder do PCC no Pará. Ele estava em liberdade condicional desde novembro.

Uma investigação do Ministério Público de Roraima apontou que Dedel teve papel importante na expansão do PCC na região Norte do país. A decisão judicial que decretou sua prisão temporária aponta ?com base no inquérito que levou à sua condenação? que ele era "incumbido da prática de atentados contra autoridades do sistema prisional e magistrados".

Os dois teriam se conhecido em 2025 numa penitenciária em Marabá, no Pará, onde ele estava preso. Antes de passar no concurso de delegada, Ayub era advogada na cidade, considerada um dos poucos redutos do PCC no Pará.

Formalmente, ela ainda é casada com um delegado de Polícia Civil paraense. Teria se separado dele após conhecer o preso, com quem teria iniciado um relacionamento amoroso.

O que mais chamou atenção dos investigadores é que, após tomar posse como delegada de polícia, Ayub atuou irregularmente como advogada numa audiência de custódia em 28 de dezembro.

A ocorrência envolvia quatro presos apontados como integrantes de facção criminosa. Ela participou da audiência de forma virtual quando já havia pedido o cancelamento de sua carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). No entanto, o registro na subseção de Marabá continuava ativo, segundo a Promotoria.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo também suspeita que Ayub e Dedel preparavam um esquema de lavagem de dinheiro. Eles haviam acabado de comprar uma padaria na zona leste da capital paulista.

"A prisão preventiva dos investigados se mostra necessária para a garantia de ordem pública, considerando as circunstâncias e a gravidade concreta dos crimes praticados, além da periculosidade social demonstrada pelos investigados", diz a decisão da Justiça paulista.