Câmara de SP aprova em 1º turno PL para trocar nome da rua Peixoto Gomide
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação hoje um projeto de lei que propõe a troca do nome da Rua Peixoto Gomide, localizada entre os bairros Bela Vista e Jardim Paulistano, na região central da capital.
A proposta foi aprovada com 33 votos favoráveis, nenhum contrário, e ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara. Se aprovado, o PL segue para a sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Na semana passada, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou o PL, que propõe mudar o nome da famosa rua para Sophia Gomide. O projeto, de autoria da vereadora Silvia Ferraro (PSOL) e co-autoria de Luna Zarattini (PT), agora conta com coautoria de mais de dez parlamentares.
Sophia Gomide foi assassinada em 1906 pelo próprio pai, o então senador Peixoto Gomide, que não aceitava seu casamento. Anos depois, em 1914, a Câmara deu o nome do ex-senador à rua, sem mencionar o crime e sequer o nome de Sophia.
O objetivo da proposta, segundo suas autoras, é reparar a homenagem e preservar a memória da vítima. Os motivos que levaram ao crime são incertos, enquanto jornais da época atribuíram o assassinato a "uma alucinação" de Peixoto Gomide.
PL faz parte da campanha "Feminicida não é herói", que pretende retirar homenagens a feminicidas em ruas e espaços públicos de São Paulo. "Esperamos que o plenário da Câmara referende a proposta de alteração do nome da rua e faça a devida reparação a Sophia Gomide. Queremos que este mudança sirva como exemplo de que nossa cidade não tolera mais violência contra a mulher", disse Silvia Ferraro.
A iniciativa também propõe a mudança do nome de outras duas ruas da cidade. A rua Moacir Piza, no centro, passaria a se chamar Nenê Romano, mulher assassinada por ele em 1923. Já a rua Alberto Pires, na zona norte, teria seu nome alterado para Dona Leonor de Camargo Cabral pelo mesmo motivo.
Outro projeto ligado à iniciativa, que proíbe dar nomes de pessoas que cometeram feminicídio a ruas e espaços públicos, já foi aprovado pela Câmara em primeira votação. A segunda votação deve ocorrer ainda em março e, se aprovado, o PL seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB).