Sociedade Israelita da Bahia critica ato em Itacaré e fala em preconceito e xenofobia

Por Folhapress

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - A Sociedade Israelita da Bahia criticou os atos realizados no último fim de semana em Itacaré, no litoral sul, e afirmou que as manifestações tiveram caráter "preconceituoso e xenofóbico". A manifestação pró-Palestina terminou com três turistas israelenses conduzidos à delegacia no último sábado (14).

O tumulto aconteceu durante ato realizado na praça da Pituba. Segundo a Polícia Civil, o trio de israelenses foi encaminhado por desacato e resistência. Após serem ouvidos, os três foram liberados. Os nomes dos envolvidos não foi divulgado, e a reportagem não conseguiu localizá-los.

De acordo com a corporação, os turistas entraram em conflito com um grupo que realizava o protesto contra a guerra em Gaza. Durante a abordagem por policiais militares, eles reagiram de forma hostil, o que levou à condução até a delegacia para registro da ocorrência, de acordo com o relato dos agentes que cuidaram do caso.

Em nota enviada à Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (18), o presidente da entidade, Mauro Brachmans, disse que um "pequeno grupo" promoveu mobilizações sob o nome de "Turismo Ético na Bahia".

Segundo a Sociedade Israelita da Bahia, a escolha dos locais ocorreu em função do fluxo de turistas israelenses nas regiões e afirmou que os atos "afrontam a lei e a ordem". Conforme a nota, os organizadores teriam disseminado "preconceito racista, xenofobia e discórdia" ao sugerirem que a população evitasse receber visitantes de Israel.

Os atos foram organizados pelo deputado estadual Hilton Coelho (PSOL). Segundo o parlamentar, a manifestação reuniu movimentos sociais, lideranças locais e o ativista Thiago Ávila.

Também nesta quarta-feira, Coelho diz ter protocolado uma indicação ao presidente Lula (PT) solicitando medidas para impedir a entrada no Brasil de militares israelenses envolvidos em crimes de guerra ou genocídio.

Questionado se tem conhecimento da presença de ex-militares israelenses condenados por crimes de guerra que tenham visitado o Brasil, o deputado citou levantamento da Fundação Hind Rajab, com sede na Bélgica.

Em dezembro de 2024, a pedido de advogados brasileiros dessa ONG, a Justiça Federal em Brasília chegou a determinar à Polícia Federal a abertura de inquérito contra o soldado Yuval Vagdani, que estava na Bahia. Ele nega a acusação, fugiu do Brasil e voltou a Israel no mês seguinte. Nos tribunais internacionais, não há condenação de militares israelenses pela ação em Gaza.

De acordo com a Sociedade Israelita, as manifestações tiveram baixa adesão e foram acompanhadas por demonstrações de apoio a turistas israelenses por parte de moradores e visitantes. A entidade destacou que esses visitantes contribuem para a economia local e para a divulgação dos destinos baianos.

A nota também ressalta que as críticas dos manifestantes se dirigiram exclusivamente a turistas israelenses, sem menção a cidadãos de outros países envolvidos em conflitos internacionais. A entidade declarou ainda que os manifestantes "apenas odeiam o povo judeu", ao questionar a justificativa de que as ações seriam direcionadas ao sionismo.

Em sessão realizada na terça-feira (17), vereadores de Itacaré afirmaram que o episódio gerou repercussão negativa e defenderam a preservação da imagem turística do município.

O vereador Cláudio Maurício (PV) destacou o impacto econômico da presença de turistas estrangeiros. Segundo ele, cerca de 3.000 israelenses visitam Itacaré anualmente, permanecendo por até três meses.

O presidente da Câmara, Renilson Costa (PSD), classificou o caso como "muito triste" e afirmou que o Legislativo Municipal deve buscar esclarecimentos junto às autoridades. Segundo ele, há a possibilidade de convocar representantes das forças de segurança para discutir o ocorrido.