Polícia Civil vai ao Romão Gomes para cumprir nova prisão de tenente-coronel réu por feminicídio

Por ANDRÉ FLEURY MORAES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil de São Paulo vai cumprir na manhã desta quinta-feira (19) um novo mandado de prisão contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53. Ele é acusado de assassinar a própria esposa, a policial Gisele Alves Santana, 32, com um tiro na cabeça. Também responde por fraude processual.

O oficial da PM está desde quarta-feira (18) detido no presídio militar Romão Gomes, onde será comunicado da prisão e para onde deverá voltar após passar por audiência de custódia. A tendência é de que Neto permaneça na detenção para militares durante todo o período de prisão preventiva.

A nova prisão do tenente-coronel foi decretada pela 5ª Vara do Júri de São Paulo na mesma decisão que o tornou réu por feminicídio e fraude processual. A Justiça ainda vai decidir se o oficial será ou não submetido a um tribunal do júri.

Em nota, a defesa do oficial afirmou que estuda a possibilidade de apresentar um habeas corpus contra a medida. Declarou também que "se encontra estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições [a Justiça Militar e a Justiça Comum]".

A defesa disse ainda que "seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade".

Geraldo Leite Rosa Neto sustenta que Gisele tirou a própria vida. O caso chegou a ser registrado como suicídio num primeiro momento, mas novos elementos sobre a morte dela levaram a polícia a tratar o episódio como morte suspeita e, depois, como feminicídio.

A posição do corpo e das manchas de sangue, as marcas de agressão no rosto de Gisele e as contradições no depoimento do marido foram as principais provas para que a Justiça Militar determinasse a prisão.

Laudos dos exames feitos no corpo da vítima, que era soldado da PM, fizeram com que os investigadores chegassem à conclusão de que Gisele foi abordada por trás pelo agressor, que segurou com força sua boca e mandíbula com a mão esquerda e disparou a pistola com a direita.

A arma era do tenente-coronel. Ele era a única pessoa no apartamento além da própria vítima.

Esses detalhes constam na decisão do juiz substituto Fabrício Alonso Martinez Della Paschoa, do Tribunal de Justiça Militar. O magistrado destacou os laudos da Polícia Técnico-Científica que apontaram a "impossibilidade de a vítima ter efetuado o disparo contra a própria cabeça".