Suspeitos de aplicarem golpe do falso advogado em 11 estados são presos

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Suspeitos de aplicarem o golpe do falso advogado em 11 estados brasileiros são alvos de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal nesta quinta-feira (19).

Vinte mandados de prisão e outros 25 de busca e apreensão contra os suspeitos na cidade de Praia Grande e São Paulo. Apesar de a operação ser conduzida pela polícia do DF, a quadrilha estava alocada no estado paulista, segundo as investigações.

Até as 8h30, 14 pessoas tinham sido presas, segundo a Polícia Civil. Outros 24 mandados de prisão foram cumpridos até este horário. Os nomes dos presos ão foram divulgados.

Suspeitos tinham divisão clara das atividades, com "puxadores", que captavam os dados das vítimas, e com um setor voltado só para começar as conversas nas redes sociais. A quadrilha também contava com membros especializados em engenharia social, para induzir a vítima ao erro, um grupo para coletar os valores e outro para fornecer chips e contas de banco.

Grupo operava golpes em todos os estados do sudeste, na Bahia, Pernambuco, Distrito Federal, Acre, Alagoas, Ceará e Roraima. Além dos mandados de prisão, bloqueios de bens também foram pedidos. A quantidade de dinheiro roubado pelos criminosos não foi divulgada pela polícia.

COMO FUNCIONA O GOLPE DO FALSO ADVOGADO

Golpe do falso advogado tem como vítimas pessoas com processo judiciais. O golpista entra em contato via e-mail ou WhatsApp com a vítima citando dados pessoais e detalhes do processo, como o teor, o número e o nome do advogado constituído. Ele cita que há um dinheiro para ser liberado, mas é necessário pagar taxas para receber.

Após o pagamento das taxas, o falso advogado tenta fazer novas cobranças. Em alguns casos, ele prometia reembolsos e mencionava compensações adicionais "pela demora no processo".

Em fevereiro de 2025, uma vítima de São Paulo levou prejuízo de R$ 30 mil com golpe do falso advogado. Com o CPF da mulher em mãos, golpistas alegavam que ela precisava pagar taxas para antecipar indenização na casa dos R$ 300 mil e que, após realizar uma transferência por Pix, ela receberia o dinheiro que lhe era devido em poucos minutos.

Para evitar ser vítima do golpe, OAB-RJ e Idec deram algumas dicas. Confira o que fazer abaixo.

Desconfie de contatos não oficiais: ignore contatos de números ou e-mails desconhecidos. Caso detecte que é um contato falso, denuncie para o WhatsApp, por exemplo.

Jamais transfira qualquer valor sem ter certeza de que seja o seu advogado. Ligue para o telefone oficial do escritório ou do seu advogado ou, se possível, vá pessoalmente até o local para esclarecer.

Faça boletim de ocorrência na polícia. Apenas dessa forma as autoridades conseguem entender a incidência da modalidade deste golpe.

Se fez transferência via pix, tente reaver pelo Med (Mecanismo Especial de Devolução). O processo é feito em contato com sua instituição financeira, mas nem sempre a devolução é garantida, pois é comum que criminosos passem dinheiro para contas laranja, o que costuma dificultar o rastreio.