Projeto do Arsenal da Esperança usa audiovisual como ferramenta de inclusão em São Paulo

Por FERNANDA DE SOUZA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Arsenal da Esperança, casa que acolhe pessoas em vulnerabilidade social em São Paulo, celebra 30 anos nesta sexta-feira, 20, com lançamento de um curta-metragem produzido a partir de uma formação em audiovisual voltada aos acolhidos pela instituição. O projeto Luz da Esperança tem como objetivo oferecer capacitação, escuta e protagonismo por meio do cinema, utilizando a linguagem audiovisual como ferramenta de transformação social.

A proposta incluiu uma imersão no universo cinematográfico, com atividades que abordaram desde a criação de roteiros até a atuação, direção, fotografia e edição de som. Durante uma semana de palestras, os participantes tiveram contato com profissionais do mercado e puderam compreender as diferentes etapas da produção de um filme.

O projeto foi idealizado pelo produtor executivo Alessandro Lupó, formado em cinema e televisão em Roma e residente no Brasil há mais de uma década. "Criamos um curso sobre o mundo audiovisual para que eles possam conhecer toda a cadeia do circuito. Foram palestras com profissionais do mercado, desde a roteirização até a pós-produção de áudio", afirma.

Além da formação teórica, os acolhidos participaram diretamente da criação de um curta-metragem. Com o apoio de um roteirista profissional, foram os próprios participantes que desenvolveram a ideia, escreveram o roteiro e atuaram em todas as etapas da produção.

"Montamos um set dentro do Arsenal, com equipamentos profissionais, e os próprios acolhidos atuaram e assumiram funções como direção e assistência", explica o produtor.

As gravações do curta ocorreram nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro, em um set montado dentro da própria instituição, localizado nas instalações históricas da antiga Hospedaria de Imigrantes de São Paulo. Ao todo, 28 acolhidos participaram do projeto, com envolvimento em diferentes áreas conforme o interesse de cada um.

Após as filmagens, os participantes acompanharam também a etapa de pós-produção. Segundo Lupó, a finalização do áudio foi realizada em uma sala de cinema, permitindo que os envolvidos conhecessem o processo de masterização.

"Foi uma experiência fantástica para eles, porque puderam ver toda a finalização do filme em um ambiente profissional", diz.

O resultado do projeto é o curta-metragem "Compro seu Sonho" de cerca de dez minutos, construído a partir das vivências e perspectivas dos próprios acolhidos. A proposta é dar visibilidade a histórias marcadas por desafios, mas também por resiliência.

"A ideia é oferecer mais uma chance de entrada nesse mercado, que é muito amplo. Alguns participantes já podem, inclusive, ser chamados para trabalhar em produções futuras", acrescenta Lupó.

Para os organizadores, o projeto vai além da formação técnica. A iniciativa busca ampliar oportunidades e incentivar a inserção dos participantes no mercado audiovisual.