Secretaria investiga 5 policiais penais por suspeita de entrada irregular de cigarros em presídios do Rio

Por BRUNA FANTTI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A corregedoria da Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) investiga cinco policiais penais suspeitos de participação em um esquema para facilitar a entrada irregular de cigarros em presídios do Rio de Janeiro.

O grupo era responsável por colocar, de forma irregular, uma grande quantidade de cigarros no interior dos presídios. Os produtos eram contrabandeados ou falsificados. A identidade dos envolvidos não foi divulgada, o que impossibilitou o contato da reportagem com a defesa.

O grupo foi descoberto após relatórios da Seap apontarem a existência de comércio clandestino de cigarros em unidades prisionais do estado.

Em nota, a secretaria afirmou que reforçou as ações de fiscalização e apreensão realizadas pela Polícia Penal. E que, a partir desse caso, atualizou as regras para a entrada de materiais nas unidades e estabeleceu novos critérios para o controle do ingresso de cigarros no sistema prisional.

Antes da mudança, o modelo de controle apresentava brechas para irregularidades. Os cigarros podiam entrar tanto pelo setor de custódia, esponsável pelo recebimento de itens autorizados para uso dos internos, quanto por encomendas enviadas pelos Correios, com limite de até 120 unidades (seis maços) por preso, por semana.

Com a nova norma, a entrada de cigarros via Correios e pelo setor de custódia foi proibida. A partir de agora, o ingresso será permitido exclusivamente nos dias de visitação, mediante revista. Outra alternativa é a compra por meio da cesta de custódia, um sistema auditável de e-commerce que oferece produtos regularizados, em conformidade com as normas da Anvisa e com preços de mercado.

A medida também ampliou o limite permitido por visitante, que passou a ser de 240 cigarros (12 maços) por preso, com o objetivo de reduzir distorções e dificultar a circulação de produtos clandestinos nas unidades.

Paralelamente, a corregedoria da Seap instaurou procedimentos para apurar possíveis envolvimentos de servidores nas apreensões e no comércio ilegal identificado.

A secretária de Estado de Administração Penitenciária, Maria Rosa Lo Duca Nebel, destacou que a nova regra reforça o controle e a rastreabilidade dos itens que entram nas unidades:

"Hoje, a lógica é clara: tudo que entra precisa ser rastreável. Ao concentrar essa entrada na visita, com fiscalização direta, aumentamos o controle e dificultamos o ingresso de ilícitos. Não se trata de proibir, mas de organizar. Não estamos restringindo, e sim trazendo para dentro do controle do Estado aquilo que antes circulava à margem."