Defesa de Jairinho tenta tirar júri do caso Henry do Rio e alega pressão sobre jurados
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pediu à Justiça do Rio de Janeiro a transferência do julgamento sobre a morte do menino Henry Borel para outra comarca, sob a alegação de que a repercussão do caso compromete a imparcialidade dos jurados.
O pedido de desaforamento foi protocolado nesta semana e inclui também uma solicitação liminar para suspender o júri popular, marcado para começar na próxima segunda-feira (23).
Os advogados pedem que o julgamento seja transferido para uma cidade onde, segundo eles, não haja o mesmo nível de exposição. Entre as possibilidades citadas estão cidades do interior do estado e até outras capitais, como Brasília e Curitiba. O pedido ainda será analisado pela Justiça.
Na petição, os advogados afirmam que há uma "intensa campanha midiática" na cidade, com potencial de influenciar o Conselho de Sentença. Segundo a defesa, o cenário inviabilizaria um julgamento justo.
Entre os elementos citados, a defesa menciona a existência de mais de 280 outdoors espalhados pelo Rio, além de passeatas, distribuição de panfletos, mobilização em redes sociais e ampla cobertura da imprensa.
Para os advogados de Jairinho, esse conjunto configura um ambiente de "pré-julgamento" e pressão sobre os jurados. "A contaminação da opinião pública na capital é materialmente comprovada", afirmam na petição, que também cita risco à presunção de inocência e à imparcialidade dos julgadores.
Em nota enviada à Folha, o advogado Rodrigo Faucz reforçou a tese. "É um absurdo que se tente influenciar os jurados, impedindo que o julgamento seja imparcial e que a decisão seja baseada exclusivamente em provas."
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A defesa também aponta a atuação do pai do menino, o vereador Leniel Borel, assistente de acusação no processo, como parte do contexto de mobilização pública em torno do caso.
O desaforamento é um instrumento previsto no Código de Processo Penal e pode ser autorizado quando há dúvida sobre a imparcialidade dos jurados ou risco à ordem pública.
A assistência de acusação, que representa a família de Henry, criticou a iniciativa e afirmou que o pedido não tem base jurídica. Em nota, a defesa de Leniel classificou a medida como uma tentativa de adiar o julgamento. Segundo o posicionamento, o desaforamento é uma medida excepcional e não se justificaria no caso. A nota afirma ainda que a repercussão decorre da gravidade do crime, não de atuação indevida das partes.
A defesa sustenta ainda que há provas suficientes para julgamento e diz estar preparada para sustentar a acusação em plenário.
O caso envolve ainda a mãe da criança, Monique Medeiros da Costa e Silva, que também será julgada. A defesa dela se manifestou contrária ao adiamento e ao desaforamento do júri e afirma já ter assinado a ata de audiência pela realização do julgamento na data prevista.
Monique está no Instituto Penal Santo Expedito, no Complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio, e teve a prisão preventiva mantida em decisões recentes de 2025. Já Jairinho está no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, também no mesmo complexo.
O júri vai analisar as acusações contra Jairinho e Monique pela morte de Henry, ocorrida em março de 2021, no apartamento onde o menino vivia com a mãe e o então padrasto, na zona oeste do Rio.
O Ministério Público sustenta que a criança morreu após ser agredida. As defesas negam as acusações.