Tenente-coronel não ligou para falar da morte de Gisele, dizem pais da PM

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os pais de Gisele Alves Santana contaram que não foram avisados sobre a morte da filha pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial é réu por feminicídio da esposa.

Tenente-coronel não ligou para falar da morte de Gisele. Em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, Marinalva Vieira Alves De Santana e José Simonal Telles De Santana, pais da vítima, informaram que o genro não ligou para eles.

"Nós ficamos sabendo da morte da minha filha por uma colega dela. Que marido é esse?", disse Marinalva Vieira Alves De Santana, mãe de Gisele, ao Domingo Espetacular.

Mãe da vítima também disse que as atitudes do tenente eram suspeitas. "Quando ele encontrou uma bala na bolsa dela, ele disse: 'Para que essa bala? Você vai beijar quem?'", relembra Marinalva.

Caso apresentava muitas contradições, segundo secretário de Segurança Pública. "A gente sabia, desde o início, que aquilo não era um suicídio, mas, sim, um feminicídio", disse Nico Gonçalves ao Domingo Espetacular.

O tenente-coronel Neto está preso desde o dia 18 acusado de feminicídio contra a PM Gisele. Durante audiência de custódia no Presídio Romão Gomes, ele voltou a dizer que a esposa se suicidou com um tiro na cabeça.

Ele é réu por feminicídio e fraude processual, por alterar a cena do crime. Neto teria matado a esposa por não aceitar o fim do relacionamento. Há indícios de que Gisele sofria violência psicológica e física do marido.

Gisele morreu após ser encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido no Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital. A morte dela foi constatada às 12h04 do mesmo dia.

Em depoimento, Geraldo afirmou que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma "exaltada", mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.

Um minuto após entrar no banho, o tenente-coronel declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo. Mas, ao abrir a porta, se deparou com Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador.

Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Geraldo era "extremamente conturbado". Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas o registro foi alterado pela Polícia Civil para "morte suspeita" após depoimento da mãe da vítima. A ocorrência é investigada pelo 8º Distrito Policial (Brás) e pela Corregedoria da Polícia Militar.

RECORDE DE FEMINICÍDIOS

O caso ganhou repercussão no mês que é comemorado o Dia Internacional da Mulher e que foi definida a Lei do feminicídio. O Brasil bateu recorde de assassinato de mulheres em 2025, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Foram 1.470 mulheres mortas em um ano.

São Paulo teve o maior número de casos de feminicídios no ano passado desde 2018. Foram 270 registros entre janeiro e dezembro -24 mortes a mais do que em 2024.

EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.