Metrô inicia obras de estação em Guarulhos, a primeira da linha 2 fora da capital paulista

Por FÁBIO PESCARINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Metrô dá início nesta segunda-feira (23) às obras da estação Dutra da linha 2-verde em Guarulhos. Ela faz parte da segunda fase da expansão do ramal metroviário para ligar a zona leste paulistana à cidade da região metropolitana de São Paulo.

A estação será a primeira do metrô a ser construída fora da capital paulista. A futura parada fica em frente ao shopping center Internacional, nas margens da rodovia Presidente Dutra ?haverá acesso ao centro comercial do bairro Itapegica.

As obras têm início após emissão na semana passada de licença de instalação da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado).

Em outra expansão para fora dos limites da capital, está previsto para esta terça-feira (24) o início das escavações na linha 4-amarela do metrô, que chegará até Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Um evento pela manhã vai marcar o começo simbólico dos trabalhos.

Conforme o Metro, na estação Dutra, da linha 2, nesta etapa serão feitas demolições, limpeza do terreno e montagem do canteiro de obras.

"Após essa etapa, será possível começar a execução das estacas de fundação da estação", diz a empresa, em nota.

A estação Dutra terá 34,3 mil metros quadrados de área construída toda enterrada, explica a companhia estatal. Ela será executada em vala a céu aberto a uma profundidade de 35,45 metros.

Ao todo serão três acessos, quatro níveis (pavimentos), duas plataformas, 18 bloqueios com catracas, dez elevadores, além de escadas rolantes e fixas.

No futuro, haverá interligação com a estação do mesmo nome da linha 19-celeste ?que vai conectar as regiões centrais da cidade de São Paulo e de Guarulhos.

Cerca de 86 mil passageiros devem passar por dia pela estação.

As obras do pátio Paulo Freire, em Guarulhos, devem começar até o fim do mês, após a Cetesb ter emitido licenças.

Com 150 mil m² e 34 vias para trens, segundo o Metrô, o pátio reunirá áreas de manutenção, limpeza, inspeções e testes, setores técnicos e administrativos e subestações.

Conforme a companhia, para construção do pátio haverá supressão vegetal, a maior parte um maciço de leucenas em cerca de 70 mil m². "Por ser invasora, a leucena tem remoção recomendada pela legislação para recuperar o equilíbrio ambiental", diz a nota.

Segundo o Metrô, será feita compensação ambiental com restauração de 16,718 hectares no Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo, na zona leste de São Paulo, com plantio de espécies nativas e regeneração.

EXPANSÃO DA LINHA

A expansão tornará a linha 2-verde a mais extensa do sistema metroviário de São Paulo, com 23 km.

A primeira fase de ampliação contempla a ligação entre as estações Vila Prudente e Penha, com 8,3 km de extensão, oito estações e a incorporação de 22 trens adicionais. A inauguração do trecho é prevista para 2028.

Já a segunda fase vai ligar as estações Penha (zona leste) e Dutra, com cinco estações e um pátio. A operação é esperada para 2032.

A expectativa é que a expansão atraia em média 700 mil passageiros por dia.

Fabricada na China, a tuneladora que vai escavar o túnel da zona leste paulistana até Guarulhos chegou no último dia 6 ao porto de São Sebastião, no litoral norte.

Com 133 metros de comprimento, 11,67 metros de diâmetro e peso total de 2.600 toneladas, o tatuzão, como é chamado o equipamento, é o maior já utilizado em obras metroviárias na América Latina.

Segundo o Metrô, a máquina tem capacidade de avanço de até 15 metros por dia em solo e cerca de 10 metros por dia em rocha.

A tuneladora será montada no canteiro de obras da futura estação Penha. A previsão é que as escavações do novo trecho tenham início no segundo semestre.

Na semana passada, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) abriu uma votação popular para escolha do nome da tuneladora. As opções são em homenagem à apresentadora de TV Hebe Camargo (1929-2012), a cantora Inezita Barroso (1925-2015) e a tenista Maria Esther Bueno (1939-2018).

"Assim como as tuneladoras anteriores, que receberam os nomes de Lina, Tarsila e Cora Coralina [que fez a escavação do primeiro trecho da expansão], a ideia é reconhecer brasileiras notáveis em suas áreas", diz o governo.