Novo terminal de ônibus na Luz vai substituir o Princesa Isabel no centro de São Paulo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um novo terminal de ônibus na região da Luz, no centro de São Paulo, irá substituir o atual Princesa Isabel. A mudança faz parte da construção do futuro centro administrativo do governo estadual.
O complexo estimado em R$ 6,09 bilhões deverá ser erguido no entorno do parque Princesa Isabel, no bairro Campos Elíseos, onde fica o atual terminal de ônibus, em uma área estigmatizada pela principal cena de consumo da cracolândia.
O consórcio MEZ-RZK Novo Centro venceu o leilão do último dia 26 de fevereiro será o responsável por construir o conjunto de torres de escritórios que abrigará a futura sede do governo.
De acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos, o futuro terminal será vizinho da estação da Luz e do novo túnel da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), atualmente em construção na avenida Cásper Líbero.
A área do terminal terá integração com trens metropolitanos e metrô. Conforme o projeto, em formato oval, serão três plataformas de ônibus.
"O acesso poderá ser feito diretamente pela calçada", afirma em nota Edgard Benozatti, presidente da CPP (Companhia Paulista de Parcerias).
A futura parada de ônibus fica entre a avenida Casper Líbero e a rua Brigadeiro Tobias, no quadrilátero que ainda tem as ruas Washington Luís e Mauá, região que até recentemente era ocupada por usuários de drogas. Ela fica a cerca de 1 km do atual terminal.
No ano passado, Benozatti afirmou que o custo estimado erguer o novo terminal seria de R$ 37 milhões.
"Além das obras físicas, a concessionária vencedora terá como obrigação realizar estudos focados na melhoria da mobilidade e tráfego do entorno, conforme previsto no contrato", afirma trecho da nota da Secretaria de Parcerias em Investimentos.
A transferência total das operações do terminal Princesa Isabel para a Luz só ocorrerá quando o novo local estiver em plena operação.
As obras do terminal estão previstas para começar no primeiro ano de concessão e serem concluídas no segundo ano do contrato.
Vitrine da promessa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de colaborar com a requalificação da região central da capital paulista, a nova sede do governo estadual tem conclusão prevista para 2030.
O projeto será feito no modelo de PPP (parceria público-privada), o que significa que poder público e empresários dividem responsabilidades na construção e gestão dos edifícios. Durante a fase de obras, prevista para durar cinco anos, o estado aplicará R$ 3,4 bilhões entre o primeiro e o quarto ano. Já o consórcio vencedor deverá dispor de R$ 2,7 bilhões.
Nesse sistema, o consórcio vitorioso também fará a gestão e manutenção dos prédios. Isso significa que a empresa cuidará da segurança, limpeza, funcionamento dos elevadores e tudo o que for necessário para a utilização dos edifícios. Para isso, o governo fez uma oferta máxima de contraprestação de R$ 76 milhões por mês, com correção pela inflação.
O complexo pretende concentrar 22 mil servidores atualmente distribuídos em 40 endereços.
O projeto arquitetônico prevê calçadões, áreas verdes e lojas acessíveis a pedestres para facilitar a integração dos novos edifícios ao entorno. Eles poderão ser erguidos em módulos e por etapas, além de terem o uso ajustado a diversos tamanhos de departamentos.
O projeto prevê o restauro de 17 imóveis tombados e a ampliação em mais de 40% das áreas verdes do parque Princesa Isabel. Também haverá 25 mil m² de fachada ativa destinados a comércio e serviços e à construção de um novo terminal de ônibus, que será interligado à estação Luz.
A obra terá um gabinete para o governador na região central da capital paulista, junto aos prédios que vão abrigar as secretarias, mas isso não impedirá que o mandatário mantenha um escritório de trabalho a dez quilômetros de distância, no Palácio dos Bandeirantes, no bairro do Morumbi, zona oeste da capital.