Fábrica chinesa em Araraquara produzirá novos trens do metrô de SP
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Os novos trens que atenderão o metrô de São Paulo começarão a ser produzidos no segundo semestre na fábrica da chinesa CRRC em Araraquara (a 273 km de São Paulo), para serem entregues a partir do ano que vem.
A indústria CRRC Brasil Equipamentos Ferroviários foi lançada em evento nesta quarta-feira (25) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou ao local por volta das 12h30.
A estatal chinesa CRRC, maior fabricante de suprimentos ferroviários do mundo, já participa no país de alguns dos principais projetos metroferroviários: além de ter vencido a concorrência bilionária do Metrô de São Paulo, está no consórcio do TIC (Trem Intercidades) e foi fornecedora de trens para a Vale operar a rota de passageiros entre Cariacica (ES) e Belo Horizonte.
Em Araraquara, a CRRC vai aproveitar instalações da montadora Hyundai Rotem, que tinha inaugurado fábrica no país em março de 2016, após ter recebido investimento de R$ 100 milhões (R$ 162,91 milhões, corrigidos pela inflação) e ter gerado 300 empregos.
A fábrica da sul-coreana foi erguida numa área de 150 mil metros quadrados, com o objetivo também de cumprir um contrato público ?a entrega de 30 locomotivas e 240 carros de passageiros para a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
No local, serão construídos pela empresa de origem chinesa os trens do metrô da capital paulista, com previsão de entrega para a partir do ano que vem. A previsão é que todos os novos trens da CRRC estejam prontos para operação em 2030.
No evento, foram assinados contratos de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com o governo paulista que somam R$ 5,6 bilhões. Do total, R$ 3,2 bilhões terão como destino o Trem Intercidades, entre São Paulo e Campinas, e os outros R$ 2,4 bilhões serão usados na expansão da Linha 2 do metrô da capital paulista.
Lula estava acompanhado do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), também ministro do Desenvolvimento, do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e de outros ministros.
O início das operações da CRRC ocorre num momento em que a indústria ferroviária brasileira prevê crescimento, mas teme justamente o avanço chinês nos trilhos do país.
A Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária) projeta a fabricação de 72 locomotivas em 2026, ante as 66 de 2025, o que significa 9,09% mais, desempenho que também se refletirá nos vagões de cargas e carros de passageiros.
A previsão é que sejam produzidos 1.900 vagões, 200 a mais que no ano passado (+11,76%), e devem ser produzidos 193 carros de passageiros, 58,19% a mais que os 122 de 2025.
Para a associação, o crescimento poderia ser maior não fosse a forte concorrência chinesa que, com poder econômico, opera de forma agressiva no mercado.
AGENDA NO INTERIOR INCLUI AVIÕES E SAÚDE
Além da participação no evento na fábrica de trens em Araraquara, Lula teve duas agendas na tarde desta quarta em São Carlos (a 232 km de São Paulo).
Primeiro, ele participou da inauguração de novas áreas do Hospital Universitário da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e, depois, visitou o centro de manutenção de aeronaves da Latam.
Em setembro, a companhia aérea inaugurou seu novo hangar de manutenção no local, de aeronaves em São Carlos (a 232 quilômetros de São Paulo), com investimento de R$ 40 milhões e voltado a atender de forma completa um novo modelo de aeronave.
Maior centro de manutenção aeronáutica da América do Sul, o Latam MRO surgiu em 2001 criado pela então TAM, presidida por Rolim Adolfo Amaro (1942-2001), e fez parte de um processo de transformação da região paulista num polo aeronáutico, que inclui a Embraer, em Gavião Peixoto, e um curso de engenharia aeronáutica na USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos.
Durante a manhã, Lula já tinha participado em Gavião Peixoto da apresentação oficial do primeiro caça supersônico produzido no Brasil, o modelo Saab Gripen E, quase três anos após a inauguração de sua linha de produção conjunta entre a fabricante sueca e sua parceira local, a Embraer.
Com isso, o Brasil se uniu a outros 14 que fabricam, com graus distintos de autonomia tecnológica, esses aparelhos que ultrapassam a velocidade do som ?1.225 km/h ao nível do mar.