Anvisa estabelece nova composição de vacina contra Covid-19 para acompanhar mutações do vírus

Por VITOR HUGO BATISTA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) definiu na terça-feira (25) a nova composição das vacinas contra a Covid-19. Na prática, isso significa que os imunizantes passarão a ser formulados com base em cepas mais atuais do Sars-CoV-2, aumentando a capacidade de proteção da população.

Em fevereiro de 2025, a cepa LP.8.1 passou a ser predominante no país, segundo a agência. Ela é uma variante da JN.1. Ambas são descendentes da variante Ômicron. A nova diretriz obriga fabricantes a atualizarem seus registros e processos produtivos para conter a cepa mais atualizada. As vacinas baseadas na cepa anterior, a JN.1, ainda poderão ser utilizadas por até nove meses.

A atualização ocorre porque o Sars-CoV-2 passa por mutações constantes, o que pode reduzir a eficácia de versões anteriores das vacinas ao longo do tempo. Por isso, assim como acontece com a vacina da gripe, é necessário revisar periodicamente a composição dos imunizantes para acompanhar a evolução do vírus e manter níveis adequados de proteção, especialmente contra casos graves e mortes.

Diferentemente da influenza, que tem um padrão sazonal bem definido e permite prever com meses de antecedência quais cepas serão predominantes, o Sars-CoV-2 ainda não apresenta um comportamento tão previsível.

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), isso faz com que as vacinas contra a Covid-19 estejam, em certa medida, sempre um passo atrás das variantes em circulação. Ainda assim isso não compromete o principal objetivo da imunização.

"Mesmo quando não há coincidência total entre a vacina e o vírus circulante, a proteção contra formas graves da doença se mantém muito boa", diz;

Dados apresentados pela Anvisa mostram que até o início de março foram registrados mais de 36 mil casos de síndrome gripal associados à Covid-19 no país. "No momento, a vacinação permanece como a principal medida de prevenção e controle", diz Daniela Marreco, diretora da Anvisa.

Segundo Kfouri, o processo de transição entre cepas já ocorreu em atualizações de vacinas anteriores, como na passagem da cepa XBB para a JN.1, e agora segue para a nova variante.

"A Anvisa já fez isso outras vezes. Ela recomenda que seja utilizada no país a versão mais recente da vacina produzida mundialmente, e dá um prazo para o Ministério da Saúde utilizar as doses remanescentes da variante anterior", explica.

Para a população, a mudança significa que as vacinas aplicadas poderão ser mais atualizadas e específicas para as variantes em circulação.

Isso não invalida a importância das doses já tomadas, mas reforça a necessidade de acompanhar eventuais recomendações de reforço, especialmente entre grupos mais vulneráveis.

"Não importa quantas doses a pessoa tomou no passado. O que vale é tomar a mais recente disponível", diz Kfouri.