PM retira estudantes à força da Secretaria de Educação de SP durante a madrugada
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar entrou na madrugada desta quinta-feira (26) na sede da Secretaria de Educação de São Paulo para retirar à força estudantes que estavam no local em protesto contra as políticas de educação do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Procurada na manhã desta quinta por email, a Secretaria de Segurança Pública não respondeu sobre a ação policial. A Secretaria de Educação também foi procurada por telefone, mas não respondeu.
Os estudantes entraram na secretaria no fim da tarde de quarta-feira (25) para exigir uma reunião com o secretário de Educação, Renato Feder. Eles reivindicam o fim da obrigatoriedade do uso de plataformas para o ensino, o fim das escolas cívico-militares e melhorias na infraestrutura das unidades.
A polícia e representantes da secretaria tentaram negociar com os estudantes para que deixassem o local ainda na quarta-feira, mas eles se negaram a sair. À reportagem, a Secretaria de Educação disse que a PM não iria retirar os estudantes à força do local.
Por volta das 2h desta quinta, no entanto, um grupo de policiais entrou na secretaria e arrombou a porta da sala onde os estudantes estavam. Um vídeo, gravado pelos manifestantes, mostra o momento em que um dos PMs joga spray de pimenta por uma abertura da porta.
Os estudantes começam a passar mal e alguns deles gritam que irão sair, mas os policiais continuam jogando spray de pimenta e conseguem arrombar a porta. Os estudantes então foram rendidos e levados para o 2º DP (Bom Retiro).
Arthur Melo, 19, um dos estudantes que acompanhava a manifestação do lado de fora da secretaria, disse que alguns dos jovens foram agredidos durante a ação da polícia.
Segundo a Secretaria da Educação, o secretário-executivo da pasta, Vinicius Neiva, tentou diversas vezes organizar uma negociação com os estudantes, já que Feder estava em viagem na tarde de quarta-feira.
A pasta também afirmou que os estudantes tinham uma reunião marcada com Renato Feder para sexta-feira (27).
A ocupação da secretaria foi organizada por estudantes ligados à Upes (União Paulista dos Estudantes Secundaristas). A entidade afirma que a ocupação é uma forma legítima de resistência ao processo contínuo de desmonte da educação pública promovido pela gestão Tarcísio.
"Ao ocuparmos este espaço, afirmamos nosso compromisso com a defesa de uma educação pública, gratuita, democrática, inclusiva e socialmente referenciada. Lutamos por escolas com estrutura digna, por condições adequadas de ensino e aprendizagem, e por um projeto educacional que reconheça os estudantes como sujeitos de direitos", diz parte da carta de reivindicações da Upes.