Prédio na zona leste de SP é interditado pela segunda vez após incêndio e gera protesto de moradores
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um prédio na zona leste de São Paulo foi interditado e todos as pessoas que viviam no local tiveram que ser retiradas no último domingo (22) após um incêndio em um dos apartamentos. Foi a segunda vez que isso aconteceu em dez dias ?o espaço já tinha sido interditado no dia 12.
A situação gerou revolta dos 247 moradores da torre A do Condomínio Portal Vila Oratório, que reclamam de uma suposta falta de estrutura. Eles realizaram na segunda (22) um protesto e bloquearam a avenida Anhaia Mello, em frente a sede da Plano&Plano, construtora responsável pelo empreendimento.
Após o ato, a empresa concordou com o pagamento de um auxílio-moradia diário de R$ 600 para as famílias afetadas.
A unidade que pegou fogo já tinha registrado outros dois incêndios este ano, segundo relatos.O primeiro caso foi em fevereiro.
A Subprefeitura Vila Prudente e a Defesa Civil ordenaram a nova interdição no domingo e disseram que que ainda não foi possível avaliar completamente os danos.
Em nota, a Plano&Plano afirma que atua com apoio técnico e acompanha as autoridades na apuração dos fatos desde o primeiro incidente, registrado em 8 de fevereiro de 2026.
Segundo a construtora, o condomínio segue rigorosamente as normas técnicas e de segurança vigentes. A empresa afirma que o projeto foi validado pelos órgãos fiscalizadores durante a construção e na entrega, realizada em março de 2024.
O advogado Carlos Sarmento, que representa os moradores do condomínio, disse que há uma série de problemas no local.
"Há relatos de mofo persistente nas unidades, possivelmente decorrente de falhas no sistema de fachada, conforme análise preliminar realizada pelo próprio condomínio. Também há notícias de problemas no sistema elétrico, infiltrações decorrentes de falhas hidráulicas, desprendimento de pisos, entre outros, que vêm sendo avaliados caso a caso", diz.
Após o incêndio no domingo, a construtora disse ter providenciado uma perícia e levantamentos técnicos em regime de urgência. A empresa disse também que não há indícios de outras unidades afetadas e que o mofo não configura uma falha construtiva.
A Subprefeitura Vila Prudente disse que vai manter a interdição até a apresentação de laudos técnicos que comprovem a integridade da estrutura. A administração municipal também exige ensaios técnicos e laudos das instalações elétricas, de gás e hidráulicas.
A 42ª DP (Parque São Lucas), responsável por investigar o incêndio, declarou que as apurações estão em estágio inicial. Segundo o delegado Rodrigo Rezende, a polícia aguarda a conclusão dos laudos para o avanço do caso.
Nas redes sociais, moradores organizam doações em dinheiro e de móveis para ajudar o casal que perdeu tudo no incêndio.